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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Flávio usou Fundo Partidário para pagar advogado investigado por ‘rachadinhas’

Equipe BR Político

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O contrato do PSL de 13 meses com o escritório do advogado Victor Granado Alves, que assessorou o então deputado estadual Flávio Bolsonaro na Alerj, pelo valor de R$ 500 mil em fevereiro de 2019 para prestação de serviços de regularização dos diretórios do partido no Rio, consultoria jurídica prestada às bancadas parlamentares em geral” e “atendimentos diversos”, foi pago com dinheiro do Fundo Partidário, informa a Folha. Sete meses depois, o presidente Jair Bolsonaro sancionou o projeto que flexibilizou regras partidárias e manteve no texto artigos que, na visão de analistas, dificultam a fiscalização da prática de caixa 2, como o uso do Fundo Partidário para pagar advogados sem contar para o limite de gastos de campanha.

O senador Flávio Bolsonaro

O senador Flávio Bolsonaro Foto: Wilton Junior/Estadão

Investigado pelo Ministério Público do Rio sobre um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete de Flávio na Alerj, Alves foi citado pelo empresário Paulo Marinho, em recente entrevista à publicação, como um dos assessores do filho do presidente da República que teriam recebido de um delegado da Polícia Federal informações adiantadas sobre a Operação Furna da Onça, que investigou a participação de deputados estaduais do Rio em esquemas de corrupção, lavagem de dinheiro, loteamento de cargos públicos e mão de obra terceirizada em órgãos da administração estadual. O relato do delegado, segundo Marinho, foi de que Fabrício Queiroz, ex-assessor e motorista de Flávio, e a filha tinham sido citados num relatório do antigo Coaf.

Além de Alves, teriam participado também da suposta reunião, na porta da Superintendência da PF no Rio, o coronel Miguel Braga, chefe de gabinete do senador, e Valdenice de Oliveira Meliga, conhecida como Val, ex-tesoureira do PSL do Rio. Marinho é suplente do senador e candidato à prefeitura do Rio de Janeiro pelo PSDB.

No mês seguinte à contratação do escritório, uma das sócias, Mariana Teixeira Frassetto Granado, foi contratada como assessora parlamentar de Flávio no Senado, com salário de R$ 22.943,73.

Outro lado

Flávio não respondeu à reportagem e o PSL nacional afirmou que a contratação do escritório se deu a pedido de Flávio, para regularização dos diretórios do partido no Rio e que houve pagamento integral das mensalidades, de fevereiro de 2019 até o efetivo rompimento, em meados de março deste ano.