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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Garimpeiros dispostos a tudo por garimpo em terra indígena

Equipe BR Político

Os garimpeiros estão revoltados com o governo federal a ponto de assumirem que é melhor incendiar veículos públicos (da Polícia Federal, ICMBio ou Ibama) e matar quem se levantar contra a vontade deles de garimpar em terra indígena. Segundo revelou reportagem do Fantástico, há pelo menos dois motivos para a indignação: as operações de Garantia de Lei e da Ordem na região da Amazônia Legal e a destruição garantida em instrução normativa de equipamentos apreendidos em ações de exploração ilegal de recursos naturais ou queimadas na região.

Garimpeiros utilizam instrumentos para mineração.

Foto: Nacho Doce/Reuters

“O garimpeiro pode muito bem sequestrar um helicóptero e meter gasolina nele e botar fogo. E aí queimar uns dois. Aí acaba tudo. E matar também. Matar também! Tem que ir todo mundo armado, não adianta ir de mão abanando não. Porque não vai adiantar nada, entendeu?”, diz um garimpeiro sobre o protesto organizado contra o fechamento de um garimpo ilegal em Aripuanã (MT).

Um dos integrantes do grupo lamenta as ações policiais no bioma porque, antes, ia tudo muito bem para o negócio do garimpo. “O Bolsonaro cortou a verba do ICMBio e do Ibama e eles estavam deixando nós trabalharmos tranquilo”.

Eles cobram, assim, mais ação do presidente Jair Bolsonaro. “Era hora de o presidente tomar uma posição mais severa. Ele também tem que tirar o traseiro da cadeira e fazer alguma coisa, né?”, afirma um deles.

O Palácio do Planalto preferiu não comentar sobre as ameaças dos garimpeiros. O Ministério da Defesa informou à reportagem que o decreto da GLO estará em vigor até o dia 24 de outubro. Diz também que efetuou multas no valor de R$ 90 milhões, com 112 pessoas detidas.