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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

General Ramos e o ‘serpentário’

Vera Magalhães

O responsável pela articulação política do governo, general Luiz Eduardo Ramos, comparou o Palácio do Planalto a um “serpentário” em entrevista à Folha nesta quarta-feira. “Aqui tem esse negócio: é um serpentário, quanto mais próximo do presidente, mais você é alvo. Se você me atinge, atinge o presidente. A minha relação com ele incomoda, incomoda aqui dentro do governo”, afirmou.

O “sincericídio” do general tem base factual farta: dois ministros antes dele foram fritados no Planalto, o também general Santos Cruz e o ex-amigo e faz-tudo Gustavo Bebianno. O fogo amigo atingiu em determinado momento até o pacato e paciente porta-voz Otávio do Rêgo Barros, que graças a essas características aguentou firme no cargo mesmo sendo alvo da buzina de Carlos Bolsonaro. Isso sem falar na existência do gabinete do ódio, um núcleo composto por assessores ligados à família Bolsonaro que, agora, virou alvo da CPMI das Fake News.

A entrevista de Ramos vem num momento em que começa a circular com força a tese de que a articulação política do governo, sob sua responsabilidade, terá de sofrer nova alteração no ano que vem. Ele defende a própria atuação, explica as diferenças do modelo de governabilidade pelo qual Jair Bolsonaro optou e diz que a ideia a partir de agora é aproximar mais o presidente do Congresso.