Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Gestos de Dodge pesaram na debandada

Equipe BR Político

O inesperado protesto de seis procuradores da força-tarefa da Operação Lava Jato que pediram demissão coletiva na quarta, 4, em protesto contra a procuradora-geral da República, Raquel Dodge, teve apoio total dos companheiros de operação de Curitiba, que cumprimentaram os colegas pela atitude. A decisão chegou aos paranaenses às 19h35 e pegou todos de surpresa, de acordo com a jornalista Bela Megale.

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge

A procuradora-geral da República, Raquel Dodge. Foto: Andre Dusek/Estadão

E a surpresa é completamente justificável, já que, de acordo com bastidor revelado pelo Estadão, horas antes do pedido de demissão, um dos integrantes da equipe de Dodge falava sobre a possibilidade de trabalhar numa eventual transição entre procuradores-gerais. Poucas horas antes, portanto, pedir para sair não estava no plano, a não ser que Dodge fosse reconduzida ao cargo.

A decisão dos procuradores foi espontânea e veio após a descoberta de que Dodge enviou ao STF na terça-feira, 3, o pedido de homologação da delação premiada de Leo Pinheiro com o arquivamento trechos relacionados ao presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e a um dos irmãos do presidente da Corte, ministro Dias Toffoli. O pedido de homologação da delação estava no gabinete dela havia cinco meses.

A insatisfação com Dodge já existia, mas foi ampliada por um inesperado pedido de desculpas, feito na Segunda Turma do STF pelo subprocurador-geral da República Antônio Carlos Bigonha, muito próximo a Dodge, por críticas de procuradores da Lava Jato a ministros do Supremo.

Nos bastidores da Procuradoria, a soma desses dois motivos, vistos como gestos políticos da procuradora-geral em busca da recondução à PGR, foram o estopim para a debandada do sexteto.