Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Globo, Globo e Globo: vitimismo de Crivella parece samba de uma nota só

Mario Vitor Rodrigues

Exclusivo para assinantes

“Não é fácil enfrentar os Marinho, você acaba fazendo muitos inimigos”, me disse o prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) durante entrevista concedida hoje, 14, ao BR Político. A menção à família detentora do maior grupo de comunicação do País, à rede de televisão, ao jornal e até mesmo à estética dos telejornais apareceu durante toda a conversa. Nela, a estratégia do prefeito ficou clara: apresentar-se como um valente político que ousou “enfrentar os poderosos”.

O discurso vitimista não varia quanto aos algozes, mas se encaixa em quaisquer situação: Eduardo Paes (DEM), ex-prefeito e seu principal adversário? Candidato preferido da Globo. Pedágio da Linha Amarela? A Globo tem interesse por trás. Guardiões do Crivella? A Globo disseminava notícias falsas. Pesquisa nada alvissareira do Ibope? Globo por trás.

Foto: Wilton Júnior / Estadão

Globo, Globo, Globo. A demonização do grupo de comunicação carioca (“Fico lisonjeado que você ache que eu tenha criado o termo “Globo Lixo”) pode ser estratégia para atrair o eleitor bolsonarista, mas já não cabe descartar a hipótese de que Crivella tenha enxergado na narrativa a comodidade de um canivete suíço. Em meio a um mandato repleto de episódios conturbados, envolvendo desde o favorecimento a igrejas (“A Igreja Universal merece palmas”) até a suspeita da formação de um grupo de milicianos lotados em seu gabinete com a missão de intimidar seus críticos, que tenha optado pela massificação de uma mensagem única.

A ver se convencerá a população. A última pesquisa Ibope, divulgada na quinta-feira, 8, revelou uma rejeição capaz de inviabilizar qualquer projeto eleitoral: 59% dos cariocas declararam que não votarão em Crivella de jeito nenhum.