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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo adapta slogan nazista em campanha

Vera Magalhães

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O vídeo de defesa das ações do governo Jair Bolsonaro na pandemia de covid-19, que noticiamos mais cedo aqui no BR Político, vem causando controvérsia nas redes sociais por evocar um slogan muito semelhante ao usado nos campos de concentração nazistas.

“O trabalho, a união e a verdade vos libertará”, diz o slogan da campanha, difundida nos perfis oficiais da Secom, a secretaria de comunicação da Presidência. A frase “o trabalho vos libertará” era ostentada na entrada dos campos de concentração da Alemanha nazista e dos países ocupados.

O cientista político e especialista em Relações Internacionais Guilherme Casarões, professor da Fundação Getúlio Vargas, contextualizou a controvérsia em sua conta no Twitter mostrando outros episódios em que Bolsonaro ou apoiadores manifestaram de alguma forma simpatia pelas ideias nazistas.

O próprio Bolsonaro, então deputado federal, tentou relativizar a maldade de Hitler em entrevista ao programa CQC, da Bandeirantes, um dos que o lançaram do anonimato do baixo clero à fama. Em discurso posterior, Bolsonaro também propôs que era possível perdoar o Holocausto, que matou 6 milhões de judeus.

Já no governo, o secretáario de Cultura Roberto Alvim foi demitido, um dia depois de fazer live com direito a elogios com o presidente, por divulgar um vídeo com discurso e estética inspirados em Joseph Goebbels, o maior ideólogo do nazismo. Até o chanceler Ernesto Araújo já relativizou os horrores do nazismo ao comparar campos de concentração à quarentena ditada pela pandemia do novo coronavírus.

As controvérsias turvam a intenção bolsonarista de se mostrar próxima ao Estado de Israel, e têm provocado protestos de parcelas da comunidade judaica não alinhadas com o regime.