Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo agora briga com a Igreja Católica

Vera Magalhães

Bispos da Igreja Católica que participarão do Sínodo da Amazônia divulgaram carta em que lamentam a forma como o governo está tratando o encontro, que acontecerá em Roma em outubro. Na carta, escrita após três dias de reuniões preparatórias para o Sínodo e divulgada pelo Estadão neste sábado, os bispos dizem: “Lamentamos imensamente que hoje, em vez de serem apoiadas e incentivadas, nossas lideranças são criminalizadas como inimigos da pátria”.

O alarme quanto ao Sínodo foi tocado pela ala militar do governo, ainda no primeiro semestre. Com isso, a Igreja entra para o rol dos setores com o qual o governo já se indispôs e aos quais atribui intenções ligadas às pautas da esquerda. “A soberania brasileira sobre essa parte da Amazônia é para nós inquestionável. Entendemos, no entanto, e apoiamos a preocupação do mundo inteiro a respeito deste macro-bioma que desempenha uma importantíssima função reguladora do clima planetário. Todas as nações são chamadas a colaborar com os países amazônicos e com as organizações locais que se empenham na preservação da Amazônia, porque desta macrorregião depende a sobrevivência dos povos e do ecossistema em outras partes do Brasil e do continente”, diz a carta, solicitada pelo cardeal dom Claudio Hummes, nomeado pelo Papa Francisco relator do Sínodo Amazônia.