Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo Bolsonaro inova e cria ministro interino efetivo

Equipe BR Político

Exclusivo para assinantes

Jair Bolsonaro assinou decreto nomeando o general Eduardo Pazuello como ministro interino da Saúde. O decreto com a “nomeação” saiu no Diário Oficial da União nesta quarta-feira, 19 dias depois do pedido de demissão de Nelson Teich da pasta — Teich, por sua vez, saiu um dia antes de completar um mês no cargo.

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello

O ministro interino da Saúde, Eduardo Pazuello Foto: Alan Santos/PR

Interino, Pazuello pode vir a se tornar mais longevo que o próprio Teich. O caráter provisório do comando do Ministério da Saúde, aquele que tem o maior Orçamento do Brasil, já seria bizarro em tempos normais, mas durante uma pandemia que já vitimou 31 mil pessoas em pouco mais de três meses e está longe de ter sido debelada, ganha proporções de ineditismo bizarro.

O general teve como principal “medida” até aqui no comando da Saúde assinar o decreto imposto por Bolsonaro criando um protocolo para o Sistema Único de Saúde para utilização de cloroquina e hidroxicloroquina para tratar covid-19 mesmo fora de hospitais, para casos leves e em início da doença.

Isso contraria a prática adotada em todo o mundo e estudos científicos que não atestam a eficácia dos dois remédios e ainda apontam risco de que eles causem problemas cardíacos sérios em pacientes com histórico de problemas dessa natureza.

“Ele (Eduardo Pazuello) vai ficar por muito tempo, esse que está lá. Isso aí não vou mudar, não. Ele é bom gestor e vai ter uma equipe boa de médicos abaixo dele”, declarou Bolsonaro em 20 de maio. A equipe do general na pasta, na verdade, tem muitos militares. São mais de 20 em cargos estratégicos do ministério.