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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo federal dá 1ª coletiva sobre o óleo após 48 dias de contaminação

Equipe BR Político

Quarenta e oito dias após o primeiro registro da mancha de óleo que contamina o litoral do Nordeste, foi feita neste domingo, 20, a primeira coletiva de um representante do governo federal para falar do maior desastre ambiental marítimo brasileiro. Escolhida como porta-voz do governo, a Marinha informou que a União vai cobrir todos os custos dos órgãos dos três entes da Federação que trabalham para limpar a costa. O almirante de Esquadra e comandante de operações navais da Força, Leonardo Puntel, não deu números, mas afirmou, na tarde deste domingo, 20, que a União fará os repasses, informa a repórter Bárbara Nascimento do Broadcast Político.

Mancha de óleo em Aracaju, Sergipe

Mancha de óleo em Aracaju. Foto: Adriano Machado/Reuters

Essa foi uma das poucas novidades repassadas à imprensa. As demais informações já haviam sido apuradas e respondidas por representantes isolados do governo e pesquisadores de universidades brasileiras. O alarme no governo federal soou justamente no fim de semana marcado por imagens de praias de Pernambuco quase totalmente cobertas de óleo e por mutirões de limpeza nas comunidades afetadas.

Por exemplo, Puntel disse que o governo tem tido dificuldade de identificar a origem do óleo. Por se tratar de um petróleo cru e muito pesado, o vazamento viaja abaixo da superfície. Segundo ele, as manchas não são detectadas pelos radares e o governo tem utilizado aeronaves para tentar identificá-las. Ele repetiu ainda que já se sabe que o óleo não foi produzido ou comercializado no Brasil e que o vazamento pode ter ocorrido durante um procedimento de troca de carga entre navios – o chamado ship to ship – ou durante uma lavagem de tanque.

Quanto às informações mais perseguidas, como dos navios que passaram em águas brasileiras e fora delas, a Marinha afirmou que essa resposta encontram-se em fase de investigação. Se você quiser saber quais embarcações passam pelo litoral brasileiro agora, em tempo real, basta clicar aqui.

Presente na coletiva no Recife, o secretário estadual do Meio Ambiente do Pernambuco, José Bertotti, solicitou mais equipamentos e apoio na contenção da gosma preta, além de mais barreiras. Uma ação civil pública foi ingressada pelo Ministério Público Federal e pelo Ministério Público na Bahia para obrigar o Ibama a instalar barreiras de proteção.

Em resposta, diretor de Proteção Ambiental do Ibama, Olivaldi Azevedo, afirmou que as barreiras de contenção não são efetivas para conter esse tipo de óleo. “Não há barreira que segure esse óleo, por conta da densidade, da maré. Não somos contra barreiras, somos a favor de barreiras onde tecnicamente elas são viáveis”, disse. Segundo os técnicos, o óleo é similar a um piche e perigoso para contato com a pele.