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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo investe R$ 145 mi em novo satélite para Amazônia

Equipe BR Político

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O governo federal empenhou, por meio do Ministério da Defesa, R$ 145.391.861 para a compra, sem licitação, de  um novo satélite a ser empregado no monitoramento da Amazônia. O alerta foi dado pelo site O Eco na última sexta-feira, mas o empenho foi feito ainda no fim de junho.

O satélite será usado pelo Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam), órgão que passou a ser o encarregado de centralizar as informações sobre desmatamento e queimadas desde que Jair Bolsonaro criou o Conselho Nacional da Amazônia, comandado pelo vice-presidente, Hamilton Mourão.

A compra e a utilização do novo satélite serão uma parceria do centro e da Embrapa Territorial, braço da empresa de agricultura comandado por Evaristo de Miranda, um bolsonarista crítico dos dados fornecidos pelo Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, órgão que está em rota de colisão com Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, desde o início deste governo.

Os dados do Inpe são fornecidos a partir de dois sistemas de monitoramento por satélite distintos e complementares: o Deter, que fornece os alertas mensais sobre desmatamento, e o Prodes, que fornece dados mais precisos e faz o balanço anual de avanço ou recuo do desmate. O programa que cuida desse sistema recebeu ao longo de 2019 apenas R$ 3,2 milhões. A discrepância entre esses valores e o investimento em novo sistema mostra a intenção do governo de esvaziar a série histórica do Inpe e criar uma diferente.

A narrativa bolsonarista de negar as queimadas na floresta amazônica e o avanço do desmantamento e de outros crimes ambientais, como invasões de terras indígenas e garimpo ilegal foi contrariada recentemente por dados da Nasa, a agência espacial norte-americana.

Em artigo na semana passada, Mourão repetiu o discurso recorrente de Bolsonaro de que queimadas na Amazônia não decorrem de desmatamento ou atividade econômica, mas são fenômenos naturais, culturais, praticados sobretudo por populações tradicionais.

A Nasa, em parceria com outras instituições internacionais, realizou um cruzamento de informações fornecidas pelos satélites do Inpe e uma ferramenta que classifica os tipos de incêndio de acordo com suas características, como extensão, intensidade e duração. Os pesquisadores responsáveis pela análise dos dados e das imagens constataram que as queimadas são fruto de ação de desmatadores.