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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo prepara resposta a bancos internacionais sobre desmatamento

Equipe BR Político

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O governo está preparando uma carta de resposta aos investidores internacionais depois de receber duras críticas de 29 instituições financeiras que alertaram sobre as falhas da gestão Bolsonaro no combate ao desmatamento e a possibilidade de começarem a desinvestir no País. Os ministérios do Meio Ambiente, Agricultura, Defesa, Justiça e Itamaraty já se reuniram para levantar dados para consolidar a resposta e uma reunião está prevista para a próxima semana, informa o Estadão

Desmatamento da Amazônia

Desmatamento da Amazônia Foto: Ueslei Marcelino/Reuters

Há duas semanas uma carta assinada pelas instituições internacionais que gerenciam mais de US$ 3,7 trilhões em ativos que afirmava que o governo precisa frear o desmatamento na Amazônia, sob risco de alimentar “uma incerteza generalizada sobre as condições para investir ou fornecer serviços financeiros ao Brasil”, foi entregue ao presidente Jair Bolsonaro. Nela, as instituições reforçaram ser “provável que os títulos soberanos brasileiros sejam considerados de alto risco se o desmatamento continuar”.

O objetivo da resposta planejada pelo governo é demonstrar que a gestão não estaria parada no combate ao desmatamento e que tem agido para conter a derrubada da floresta, mesmo com dados oficiais apontando piora nos índices de desmatamento em relação ao ano passado. Na avaliação do governo, há “falta de entendimento e de informação” sobre o assunto e as ações que estão em andamento. Nesta quinta-feira, 2, um dia depois de dados revelarem um recorde de número de focos de queimada na Amazônia de 13 anos em junho, Bolsonaro afirmou que buscará um esforço para “desfazer opiniões distorcidas” sobre a política ambiental do Brasil no exterior durante encontro da Cúpula do Mercosul.

Um dos principais destaques que o governo pretende dar na resposta é à criação da operação militar “Verde Brasil 2”, sob o comando do Conselho Nacional da Amazônia, liderado pelo vice-presidente Hamilton Mourão, em maio, para combater a ação de grileiros e desmatadores da floresta que atuam em terras indígenas e áreas preservadas. Os resultados da operação, entretanto, têm sido inflados com operações de combate ao desmatamento que não tiveram nenhuma ligação com o apoio militar, como revelou o Estadão.