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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo se preocupa com discurso do ‘efeito Chile’

Vera Magalhães

O governo está preocupado com o recrudescimento, após os violentos protestos no Chile, do discurso segundo o qual sua agenda liberal na economia –priorizando reformas e privatizações– levará ao aprofundamento da desigualdade social no Brasil. A oposição tem usado imagens do Chile para atacar a política econômica de Paulo Guedes.

Mesmo entre políticos aliados do presidente existe uma preocupação de que o governo, ao aplicar o receituário correto, não tenha sensibilidade para dosar cortes na área social que poderiam levar a insatisfações como as que levaram milhões às ruas no país vizinho. Escrevi a esse respeito na minha coluna de domingo e hoje o Estadão faz reportagem mostrando o medo de o discurso do “efeito Chile” colar por aqui. O jornal teve acesso a um documento que está sendo preparado pelo Ministério da Economia, com a defesa das reformas praticadas no Chile ao longo de décadas.

Isso se torna um equilíbrio delicado na semana em que o governo prepara um pacote de novas reformas. A preocupação da equipe de Paulo Guedes é mostrar que medidas como a reforma administrativa visam justamente combater privilégios de uma casta, a dos servidores públicos, que detém direitos que o restante da população não tem.