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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo tenta atrair o Centrão e esvaziar Maia

Vera Magalhães

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A estratégia de Jair Bolsonaro de desgastar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), passa inexoravelmente pela necessidade de atrair o chamado e estigmatizado Centrão para uma relação direta com o Palácio do Planalto e a equipe econômica, sem passar pela intermediação de Maia.

Para isso, os métodos que começam a ser empregados são os da chamada velha política. E quanto a eles as ruidosas redes sociais bolsonaristas, deputados e deputadas estridentes à frente, fazem ouvidos moucos e boca de siri. Reportagens em vários veículos mostram essa costura, que apontamos na nossa newsletter BR Político Analisa na quinta-feira.

Na sexta-feira, o titular da Casa Civil, Walter Braga Netto, resolveu três líderes do bloco no Planalto, logo depois de Bolsonaro e Maia trocarem farpas em entrevistas no dia anterior. PP, PL e PSD têm 116 deputados. O que está na mesa na negociação são cargos nos Estados e municípios, munição vital para políticos, ainda mais em ano eleitoral.

O diagnóstico de que Maia estaria enfraquecido como liderança capaz de unir o Centrão foi levado ao Planalto por Paulo Guedes, que rompeu com o presidente da Câmara na negociação do pacote de ajuda aos Estados. Foi ele quem sugeriu a ponte direta com parlamentares, sem intermediários.

A tese ainda está por ser comprovada: na votação da mesma ajuda, o presidente da Câmara e o governo tiveram de ceder, então não serviu como teste efetivo de quem está com mais tinta na caneta. E a votação da MP da Carteira Verde e Amarela mostrou que Maia ainda dá as cartas e que, além do Centrão, tem ampla interlocução também com a esquerda.