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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo tenta conter efeito da saída de Mansueto

Equipe BR Político

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A preocupação da equipe econômica nesta segunda-feira é dissociar a decisão do secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, de deixar o governo nas próximas semanas, provavelmente até agosto, conforme afirmou em entrevista ao Broadcast Político.

Ele deve cumprir quarentena e ir para a iniciativa privada. De acordo com o próprio secretário, o restante da equipe será mantida. E ele mesmo vai tratar de treinar o escolhido para a substituição.

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida

O secretário do Tesouro, Mansueto Almeida Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ministro Paulo Guedes fez questão de elogiar Mansueto, de quem recebeu uma carta de despedida agradecendo pelo mais de um ano de convivência e elogiando o ministro. Respondeu com outra carta em tom igualmente elogioso. O ministro lembrou que a intenção de Mansueto, que já era do ministério no governo de Michel Temer, era permanecer no governo apenas poucos meses, e acabou ficando um ano e meio.

Diante da mudança da agenda econômica para a emergência da covid-19, Mansueto argumentou com Guedes que considerava que sua permanência não faria mais sentido.

A preocupação do Planalto e da equipe econômica é não associar a saída do economista com a crise política e institucional e os questionamentos a respeito do compromisso do governo Bolsonaro com a democracia, além dos pedidos que se avolumam pelo impeachment do presidente. Por isso a ênfase no fato de que o secretário sempre deixou claro que sua permanência no posto era provisória.

Mansueto já está discutindo com Guedes e o secretário especial de Fazenda, Waldery Rodrigues, um nome para sucedê-lo no cargo. E a missão não será das mais fáceis. Controlar o caixa do governo no pós-pandemia. O secretário alega cansaço como um dos motivos para deixar o cargo. Ele está à frente do posto desde abril de 2018.

“Eu tinha duas decisões para tomar. Vamos entrar na fase de planejamento do pós-covid, que é até um pouco retomar as reformas que já estão no Congresso. É a agenda que vai até o final do governo. Ou eu decidia sair agora, depois do meio do ano, ou eu achava que tinha que ficar até o final do governo. Quando eu olhava mais dois anos e meio de governo, já estou com quatro anos, estou muito cansado. Aí eu disse não, mais dois anos e meio eu não aguento. Aguentaria até o final do ano, mas começar a trabalhar nas políticas do pós-covid e sair no fim do ano, aí eu achava também que não era legal. Então é melhor eu ficar mais um pouco, mas nessa fase de discutir o pós-covid já entra o novo secretário do Tesouro. Mas eu fico aqui inclusive para quando o Paulo (Guedes, ministro da Economia) escolher o novo secretário, eu interagir e treinar. Toda a equipe do Tesouro fica, os subsecretários, não muda absolutamente nada”, disse.