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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Governo vai mexer com o MDB?

Marcelo de Moraes

Em 2015, o governo tentou impedir – com toda a razão, diga-se de passagem – a eleição de Eduardo Cunha (PMDB-RJ) para a Presidência da Câmara. O governo petista de Dilma Rousseff quis emplacar a candidatura de Arlindo Chinaglia e fracassou. Além de passar um sinal de fraqueza pela derrota, o governo deixou os peemedebistas furiosos pelo confronto e passou a lidar com um presidente da Câmara que trabalhou constantemente para atrapalhar a vida do Planalto. Dilma caiu, Cunha foi preso e o resto é história.

Na ocasião, o Planalto não queria barrar Cunha por achar que ele era desonesto. O que o governo queria era um presidente da Câmara afável para seus interesses. Agora, o MDB não tem mais a mesma força, mas ainda possui a maior bancada do Senado e reivindica o comando da Casa. A senadora Simone Tebet (MDB-MS) levantou a suspeita de que o Planalto esteja mais uma vez tentando interferir na disputa para ajudar a candidatura do senador Davi Alcolumbre (DEM-AP) para impedir a vitória do MDB – seja dela ou do senador Renan Calheiros. E Simone apontou o dedo para o ministro da Casa Civil, Onyx Lorenzoni, colega de partido de Alcolumbre e homem forte do governo Bolsonaro. A lição de 2015 mostrou que acirrar os ânimos com o Congresso pode não terminar bem para o Planalto. /M.M.