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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Greenpeace diz que navio pesquisava corais na Guiana Francesa

Milibi Figueiredo

Em resposta à insinuação do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, de que a ONG estaria ligada ao derramamento de óleo no litoral do Nordeste, o Greenpeace esclareceu que seu navio Esperanza navegava pelo litoral da Guiana Francesa, entre agosto e setembro, para pesquisar recifes (confira aqui a intensidade do movimento de transporte marítimo na região em tempo real). As primeiras manchas da substância tóxica apareceram em 30 de agosto, na Paraíba.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles.

O ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

A instituição informou ao BRP que a embarcação está em expedição de um ano, com origem no Ártico e destino à Antártica e, no momento, se encontra atracada em Montevidéu, no Uruguai. A ONG também afirma que vai tomar as medidas legais cabíveis contra o ministro. “Trata-se, mais uma vez, de criar uma cortina de fumaça na tentativa de esconder a incapacidade de Salles em lidar com a situação”, informa em nota. O navio não dispõe de estrutura para armazenamento e transporte de petróleo, atividade que requer autorização do governo, conforme afirmou à Folha.

O WWF-Brasil também se posicionou contra as declarações de Salles por meio de comunicado oficial. “Diante do maior desastre ambiental na costa brasileira com a contaminação das pessoas, praias, corais e mangues no Nordeste, ao invés do governo federal agir, mais uma vez ele criminaliza as organizações não governamentais da sociedade civil”, diz trecho de nota enviada ao BRP.

A foto que o ministro utilizou para ilustrar seu tuíte com a insinuação contra o Greenpeace é de 2016, quando o navio Esperanza navegava o oceano Índico em protesto contra “práticas insustentáveis de pesca”. Em outra ocasião desta espécie de guerra que trava contra o Greenpeace, Salles usou um vídeo da ONG, editado, para cobrar ações da ONG de limpeza do óleo das praias nordestinas, como você viu no BRP.

Em episódio similar recente envolvendo outro desastre ambiental, o presidente francês, Emmanuel Macron compartilhou foto antiga da Amazônia para chamar o G-7 a discutir as queimadas na região. À época, Jair Bolsonaro usou a origem da fotografia para atacar o chefe de Estado – disse que Macron “apelava para fotos falsas” e usava a questão para “ganhos políticos pessoais”.

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