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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Salles baixa o tom ao ligar Greenpeace com vazamento

Equipe BR Político

Após sugerir que o Greenpeace tem relação com o derramamento de óleo que atinge 238 pontos no litoral do Nordeste, o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, diminuiu a intensidade de sua insinuação durante entrevista na rádio Jovem Pan nesta sexta-feira, 25. “Ninguém disse que foi o navio que jogou o óleo. Estou dizendo que ele estava na frente do acidente. Podiam ter parado e não fizeram nada para ajudar”, declarou o ministro.

Família retira óleo usando pedaços de madeira, na Praia do Pilar, na Ilha de Itamaracá, litoral norte da grande Recife.

Família retira óleo em Itamaracá. Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Ao BRP, o coordenador de políticas públicas da ONG ambiental, Márcio Astrini, afirmou novamente que o navio Esperanza, que aparece na foto da postagem sugestiva de Salles, estava na Guiana Francesa durante o mês de setembro, época do início do vazamento. “Ele continua fazendo acusações falsas e deve responder na Justiça”.

A instituição também esclareceu porque a embarcação não parou no Nordeste brasileiro, para prestar ajuda, em seu trajeto até o Uruguai. “Por ser um navio de pesquisa, ele não pode navegar em águas brasileiras sem autorização da Marinha, que exige, em média, 180 dias para conceder esse documento”, escreveu em nota oficial.

Em relação a outras investidas, o ministro manteve o tom, como é o caso da afirmação de que a organização não está trabalhando diretamente na limpeza das praias. Após ter publicado vídeo editado para ironizar as ações do Greenpeace, Salles repetiu na entrevista que não há voluntários da instituição recolhendo óleo da areia. “Talvez ele não tenha visto nossos ativistas porque não está lá (na área afetada).  Temos grupos em Pernambuco, Bahia, Ceará, Maranhão. Postamos o acompanhamento nas redes sociais”, disse Astrini.

Também na quinta-feira, 24, o presidente Jair Bolsonaro acirrou os ânimos na briga entre a ONG e o governo. “Esse Greenpeace só nos atrapalha”, afirmou, após classificar o derramamento de óleo como “ato terrorista”. Sobre essa atenção, o coordenador da organização disse que o governo “precisa se importar mais com o trabalho que não faz”. “Tem gente limpando o litoral com as próprias mãos que precisa de apoio”.

Ainda na conversa à rádio, o ministro disse que é “besteira” e “fake news” a notícia de que o Plano Nacional de Contingência (PNC) só foi formalizado em 11 de outubro. Ele sustenta que o o conteúdo do plano foi colocado em prática antes da oficialização do documento. Como você viu aqui no BRP, documento obtido pelo Estadão mostra demora de 39 dias para acionar o plano. O governo também ignorou o manual de como agir em desastre com óleo.