Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Guedes reage e busca protagonismo em nova agenda

Vera Magalhães

Exclusivo para assinantes

Se não pode vencê-los, não basta juntar-se a eles. É preciso suplantá-los e tomar para si as rédeas da narrativa. Essa parece ser a lógica a pautar a reação de Paulo Guedes (Economia) à tentativa da ala desenvolvimentista do governo de enterrar sua agenda liberal e substituí-la por outra de viés gastador e foco eleitoreiro.

O ministro deverá ser a estrela do anúncio de um pacote na próxima terça-feira que, embora traga as obras de infra-estrutura idealizadas por Paulo Marinho e pelos militares, deverá ter como carro-chefe o Renda Brasil, programa arquitetado na pasta de Guedes para substituir e majorar o Bolsa Família.

O plano ainda está em fase de ajustes finais, e ainda não está claro de onde sairão os recursos para financiar o upgrade que o governo promete dar ao programa de transferência de renda, que virá no lugar do auxílio emergencial, agora prorrogado até dezembro. Reportagem do Estadão neste sábado explica o que o pacote deve conter — há um foco também em medidas de criação de empregos no pós-pandemia.

Mas é preciso notar o reposicionamento político de Guedes, que, depois de se mostrar abatido com a saída de auxiliares do governo, que ele próprio chamou de “debandada”, começa a buscar a retomada das rédeas da narrativa e da ação, evitando assim ser surpreendido por novas urdiduras de Rogério Marinho e companhia e tentando fechar novas brechas para o arrombamento do cofre.