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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Guerra Fria requentada

Equipe BR Político

Não vivemos o macarthismo dos anos 50, mas o comunismo tem sido resgatado hoje pelo governo atual como força ameaçadora da estabilidade representada por qualquer traço político progressista. O lançamento da carteirinha digital de estudantes, por exemplo, veio acompanhada da justificativa do presidente Jair Bolsonaro de que o novo instrumento servirá como arma contra o socialismo.

O presidente da República Jair Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos Donald Trump apertam as mãos

Foto: Susan Walsh/AP

No plano externo, até mesmo a Guerra Fria (1945-1991) tem sido exumada do gélido hemisfério Norte para contextualizar as ameaças de saída dos Estados Unidos do Tratado sobre Forças Nucleares de Alcance Intermediário (INF, na sigla em inglês), firmado entre o último secretário-geral do Partido Comunista, Mikhail Gorbachev, e o então presidente norte-americano Ronald Reagan, em 1987, reporta o caderno Aliás, do Estadão. Donald Trump acusa agora Vladimir Putin de violar o tratado. A Rússia, em contrapartida, acusa os EUA de imporem na marra a anulação do acordo. O fato é que o russo realizou testes com o míssil hipersônico Avangard, em dezembro de 2018, e, meses antes, instalou mísseis terrestres de cruzeiro SSC-8 em bases militares a leste dos Montes Urais, fronteira natural entre a Europa e a Ásia.

A disputa armamentista do pós-guerra, porém, não guarda semelhanças com a atual, segundo a revista eletrônica Foreign Policy. Hoje Trump leva uma vantagem bélica incomparavelmente superior sobre Putin, o mundo já não é bipolar e a influência do “putinismo” é mínima extra-muros. “Donald Trump é provavelmente a única pessoa na América que acredita piamente no perfil do governante forte como regra preferível para a democracia, mas ele não será um presidente vitalício, não importa o quanto ele queira sê-lo”, compara a publicação. O que pode ter permanecido hoje da preocupação de outrora, a julgar pelas reações comuns de Bolsonaro ou Trump, é a “máxima tão sábia quanto cínica do ditador fascista (e socialista quando jovem) Benito Mussolini (1883-1945): “Após a revolução, resta o problema dos revolucionários””, registra o Aliás.

 

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