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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Guinada conservadora no Itamaraty

Equipe BR Político

Em um ano à frente do Ministério de Relações Exteriores, Ernesto Araújo promoveu uma guinada sem precedentes na diplomacia brasileira, atestam especialistas em política externa ouvidos pela Folha neste domingo.

Entre os exemplos reunidos pelo jornal dessa mudança de rumo estão o alinhamento a Israel e aos Estados Unidos, a determinação de que o Brasil só reconhece a expressão gênero como sexo biológico e o abandono do princípio de respeito à autodeterminação de outros países na pressão exercida em fóruns como o Grupo de Lima pela deposição de Nicolas Maduro na Venezuela.

“A política externa [atual] representa ruptura praticamente total com a linha seguida pelo Brasil desde o governo Geisel (1974-1979) e acentuada após a redemocratização: política de afirmação da autonomia de acordo com os interesses nacionais, sem alinhamentos ou hostilidades automáticas a nenhuma potência”, disse ao jornal o embaixador aposentado Rubens Ricupero.

Os especialistas ressaltam a influência de outros personagens na definição da política externa, como o deputado Eduardo Bolsonaro, que por pouco não foi indicado embaixador em Washington, e o assessor presidencial Filipe G. Martins.