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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Há um Nabhan Garcia no meio do caminho

Equipe BR Político

Numa adaptação do poema de Drummond, há uma pedra no meio do caminho não só da comunidade indígena como também de militares e da própria equipe da ministra Tereza Cristina (Agricultura). Ele é secretário especial de Assuntos Fundiários, Nabhan Garcia, a quem é atribuída a demissão do presidente do Incra, João Carlos Jesus Corrêa, que saiu apontando dedo. “Como estávamos contrariando interesses e agindo com ética e honestidade, passamos a ser pedra no sapato”, afirmou Corrêa ao Estadão.

Com histórico judicial de conflitos com trabalhadores rurais e índios, Nabhan tem como principais missões conceder o mais rápido possível títulos de terra na região amazônica e agilizar acordos de conciliação com fazendeiros que questionam na Justiça a tomada de suas terras para a reforma agrária. Para isso, se cerca de aliados. Dos dez escolhidos para comandar superintendências regionais do Incra em agosto, ao menos oito tinham como padrinhos deputados federais.

Auxiliares de Tereza Cristina têm receio de que os conflitos no campo aumentem se vingar, por exemplo, a bandeira de Nabhan da autodeclaração para regularização fundiária. Ciente do “pedregulho”, a ministra deve mexer suas peças no Incra em desfavor de Nabhan. Ela quer que o novo presidente do instituto seja um civil. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA), apoia o ex-deputado Valdir Colatto (MDB) para a função.

A Funai também faz parte da coleção de desafetos de Nabhan. A ele é atribuída a demissão do ex-presidente do órgão, o general Franklimberg Ribeiro de Freitas. Ele, no entanto, diz estar firme no cargo porque tem apoio do presidente Jair Bolsonaro. “A Secretaria de Assuntos Fundiários busca contribuir para que o programa de reforma agrária dê certo”, disse ao Estadão. “Esse é o meu grande desafio dentro do governo Bolsonaro, em quem acredito e sempre acreditei.”

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