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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Heleno: ‘Jamais pensei em resgatar o AI-5’

Vera Magalhães

Alvo de uma saraivada de críticas desde que disse, em declaração ao Estadão, que, se Eduardo Bolsonaro falava em um novo AI-5, tinha de “estudar como vai fazer”, o general Augusto Heleno, chefe do Gabinete de Segurança Institucional concedeu nova entrevista ao jornal e disse à colunista Eliane Cantanhêde que jamais pensou em defender o resgate do instrumento da ditadura. “Jamais pensei em resgatar o AI-5 nos atuais tempos do Brasil. O AI-5 foi instrumento do passado, que tem de ser vinculado àquela época. Não tem o menor sentido pensar que ele possa ser aplicado, com ou sem modificações, nos dias de hoje”, afirmou o general.

Ele evitou tecer críticas ao filho do presidente, dizendo que ele já voltou atrás. Em relação aos reparos feitos à sua conduta pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que o acusou de ter virado um “auxiliar do radicalismo” de Olavo de Carvalho, Heleno afirmou que nem saberia reconhecer o ideólogo se o encontrasse, e que nada tem a ver com suas ideias.

O ministro refutou a possibilidade de haver no Brasil protestos violentos como os do Chile, mas afirmou que, caso ocorram, há instrumentos legais para enfrentá-los. “Nós temos instrumentos legais, previstos pela Constituição: PMs, Força Nacional de Segurança Pública, PF, PRF, está tudo lá no artigo 144. Se eles se esgotarem, temos a Garantia da Lei e da Ordem (GLO, com uso das Forças Armadas em situações específicas e emergenciais), que é absolutamente legal e democrática.”