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por Marcelo de Moraes

Heleno nega existência de ‘Abin paralela’ para favorecer Flávio

Equipe BR Político

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O ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), general Augusto Heleno, divulgou nota nesta tarde de domingo, 13, em que nega a existência de uma “Abin paralela” ou “Abin clandestina”. Heleno faz referência à informação de que a Agência Brasileira de Inteligência produziu relatórios para auxiliar na defesa do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ) no processo em que é denunciado por peculato, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e organização criminosa por um esquema de “rachadinha”, entre 2007 e 2018, pelo Ministério Público Federal no Rio de Janeiro. Vários veículos de comunicação do País tiveram acesso ao relatório.

O ministro afirma na nota que acionou a “Advocacia-Geral da União para que adote medidas capazes de restabelecer a verdade dos fatos”.

A revista Época revelou a existência de dois relatórios da Abin sugerindo elementos para anular a investigação contra Flávio Bolsonaro. Nos documentos, aponta a reportagem, a agência detalha o funcionamento de suposta organização criminosa na Receita Federal que, segundo a defesa de Flávio, teria feito uma devassa nos dados fiscais do senador. Em um dos documentos, a finalidade descrita é ‘Defender FB no caso Alerj’. Entre as sugestões listadas pela inteligência estão a demissão de servidores do Fisco e da Controladoria-Geral da União (CGU), órgão responsável pela fiscalização da administração pública. De acordo com a Época, os relatórios foram enviados em setembro, por WhatsApp, a Flávio, que os repassou aos seus advogados.

Citado na defesa de Flávio, o auditor-fiscal Christiano Paes Leme Botelho foi demitido na semana passada do cargo de chefe do Escritório da Corregedoria da Receita Federal no Rio de Janeiro.

Íntegra da nota:

Os mencionados relatórios não foram produzidos pela Abin. Supostos trechos divulgados apresentam-se mal redigidos, com linguajar atécnico que não guarda relação com a Atividade de Inteligência;

A Agência desenvolve seus trabalhos de maneira integrada e cooperativa, não havendo setores fragmentados de sua institucionalidade, sendo falsa a afirmação de existência da “Abin paralela” ou “Abin clandestina”;

As acusações se pautam em torpe narrativa, desprovida de conjunto probatório, supostamente contida em documentos que não foram produzidos pela Agência Brasileira de Inteligência;

O intuito único é desacreditar uma instituição de Estados e servidores que compõem seus quadros
Reitera-se, na íntegra, a Nota à Imprensa do GSI, de 23 de outubro de 2020, na qual é declarado não ter sido realizada qualquer ação por entender que, dentro das atribuições legais, não competia ao GSI e à Abin qualquer providência a respeito do tema;

A Abin acionou a Advocacia-Geral da União para que adote medidas capazes de restabelecer a verdade dos fatos.