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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Holanda pisa no freio de acordo da UE com Mercosul

Equipe BR Político

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O Parlamento holandês aprovou na quarta, 3, uma moção contra o acordo entre a União Europeia e o Mercosul sob o argumento de que o agronegócio brasileiro não respeita o meio ambiente. A posição marca o início de um longo processo, assinado em junho do ano passado, que só será ratificado com a aprovação dos 27 Estados membros do Conselho Europeu, dos parlamentos regionais em alguns países, como Bélgica, e pela maioria do Parlamento Europeu.

Bandeiras da União Europeia

Bandeiras da União Europeia Foto: Yves Herman/Reuters

“Pela primeira vez, a Câmara dos representantes tomou uma posição contra um acordo comercial ao qual o nosso governo era muito favorável. A Câmara chama a atenção do primeiro-ministro. É verdadeiramente uma vitória para a Amazônia e para a agricultura sustentável”, disse Esther Ouwehand, líder do Partido dos Animais, autor da moção, conforme afirmou ao jornal francês Les Echos.

A decisão foi comemorada pelos verdes europeus, como o vice-presidente da Comissão da Agricultura e do Desenvolvimento Rural no Parlamento Europeu, o eurodeputado português Francisco Guerreiro, do partido Pessoas, Animais Natureza (PAN). Ele disse ao Estadão acompanhar a política ambiental do presidente Jair Bolsonaro para a Amazônia e que a preocupação com o desmatamento na região é um dos motivos pelos quais seu grupo defende a não ratificação do acordo pela UE.

“O atual acordo apenas vai acentuar esta tendência de destruição ambiental e de crispação social pois sendo o Mercosul a quinta maior economia fora da União Europeia, e havendo uma diminuição das barreiras alfandegárias, sabendo dos escândalos de corrupção, por exemplo no Brasil não será a União Europeia a aumentar os standards de qualidade social e ambiental nestes países. Defender as comunidades indígenas, a proteção da riqueza amazônica e de todos os países da América Latina é rejeitar o acordo. Os Verdes Europeus, por estas razões, têm sido uma voz determinada contra o acordo”, afirmou à reportagem.