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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Ida de Regina Duarte para Cultura é vista com ceticismo

Vera Magalhães

A ida de Regina Duarte para a Secretaria Especial de Cultura foi recebida com ceticismo pela sociedade, conforme mostra pesquisa do Ideia Big Data realizada na semana passada a pedido do BRPolítico. As 1.516 entrevistas foram feitas por meio de aplicativo para celular entre os dias 28 e 30, portanto antes e depois da resposta oficial da atriz de que aceitaria assumir o órgão.

Encontro entre Regina Duarte e o presidente Jair Bolsonaro

Encontro entre Regina Duarte e o presidente Jair Bolsonaro Foto: Carolina Antunes/PR

Para 32% dos entrevistados, a escolha de Regina Duarte é boa, porque ela é séria e é da área cultural. Já 35% dos entrevistados avaliam que a atriz não tem experiência administrativa para gerir a cultura, razão pela qual a escolha teria sido equivocada. Houve ainda 10% que responderam que foi ela quem errou ao aceitar o convite, uma vez que a cultura não é prioridade no governo Bolsonaro. Outros 23% não souberam opinar.

Questionados sobre a demissão de Roberto Alvim, antecessor de Regina Duarte que caiu depois de divulgar, pelos canais oficiais da secretaria, um post de discurso e estética inspirados no maior ideólogo do nazismo, Joseph Goebbels, a crítica é mais enfática: para 56%, a demissão não resolverá nada se a política cultural que era aplicada por Alvim não for alterada. Outros 23% elogiaram a decisão rápida de Bolsonaro de demitir o secretário, e acham que ela encerrou o caso. Os que não responderam essa questão somam 21%.

A decisão, já manifestada por Bolsonaro e vários integrantes do governo, de não fomentar manifestações culturais que tenham uma linha ideológica diferente da do governo, foi condenada por 44% dos ouvidos, que avaliam que o governo não deve interferir no conteúdo das produções. Para 33%, Bolsonaro está correto ao orientar ideologicamente a política cultural do governo.

Cotejando e segmentando as respostas às três questões, o Ideia constatou que a maioria dos ouvidos tem uma posição contrária às decisões de Bolsonaro na Cultura. O percentual global de rejeição seria de 25%, contra 12% que apoiam majoritariamente o que o governo promove no setor.

O fim de semana foi marcado por controvérsias envolvendo a nova secretária. Ela foi criticada por atores por postar, sem sua autorização, fotos daqueles que supostamente a apoiariam. Depois de nomes como Carolina Ferraz e Maitê Proença pedirem a retirada de suas fotos dos posts, Regina apagou as galerias e lamentou a falta de união da classe artística.

A dupla de compositores Sá & Guarabyra também manifestou nas redes sociais a disposição de ir à Justiça para impedir o uso de sua música Dona, tema do personagem de Regina em Roque Santeiro, a Viúva Porcina, numa versão em apoio a ela e a Bolsonaro.

O “sim” da atriz foi dado há mais de uma semana, mas presidente Bolsonaro anunciou nos últimso dias que o governo não tem pressa em fazer a nomeação de Regina.  Por enquanto, ela já anunciou a pretensão de demitir os expoentes mais ideológicos da gestão Alvim, colocados por ele em órgãos como Funarte e Fundação Palmares. Mas tem dado declarações chancelando a avaliação de Bolsonaro de que a política cultural é dominada por conceitos abstratos como “marxismo cultural”, o que tem gerado críticas bastante duras da classe artística.