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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Imagem de Mandetta supera a de Bolsonaro, mostra estudo

Vera Magalhães

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A imagem do ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, está se consolidando sobre a do presidente Jair Bolsonaro como o gestor federal mais confiável para lidar com a crise provocada pela pandemia do novo coronavírus, mostra a evolução de estudo diário feito pela consultora de imagem Olga Curado, sócia da Curado & Associados, feito com base na análise do conteúdo veiculado pelos quatro principais jornais do País.

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta

O presidente Jair Bolsonaro e o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta Foto: Dida Sampaio/Estadão

A análise converge com a quantificação de menções nas redes sociais feitas por várias ferramentas, e essa percepção explica por que o ministro entrou na mira do presidente, que pensou em demiti-lo, teve vários embates com ele pelo rumo a seguir na crise, chegou a transferir as entrevistas diárias sobre o status da pandemia para o Palácio do Planalto, mas, diante da evidência da gravidade do quadro, recuou e, a contragosto, manteve Mandetta no cargo e aceitou suas diretrizes.

O estudo feito por Olga Curado usa uma metodologia batizada de iVGR (Índice de Valor, Gestão e Relacionamento), associando “notas” negativas e positivas de acordo com as menções que figuras públicas recebem no noticiário. Ele vai de +5 a -5. A “nota” de Mandetta no último boletim é +2,44, e a ele são associados atributos como “prudente”. Já o conceito de Bolsonaro na quarta-feira era -2,93, associado a adjetivos como “irresponsável” e “incompetente”.

Na cobertura da pandemia do coronavírus, os quatro principais jornais (Estadão, Folha, O Globo e Valor Econômico) publicaram, entre 0h e 23h59 de terça-feira (31/3), 93 reportagens – 58 negativas (62%) e 38 positivas (38%).

Das 58 matérias negativas, 42 (72%) destacaram a fragilidade do presidente da República, inclusive sua instabilidade emocional, e o 15º dia consecutivo de panelaços pelo Brasil. A imagem de irresponsabilidade e de incompetência é reforçada nesta cobertura pela desautorização da OMS ao uso de declarações editadas do diretor Tedros Ghebreyesus. Mandetta registrou 16 dos 35 registros positivos (45%), com percepção de uma liderança prudente.

Os bolsonaristas podem olhar para o estudo e enxergar uma confirmação de sua queixa recorrente de que a imprensa “persegue” o presidente, mas isso cai diante da constatação de que há menções positivas a seu ministro da Saúde.

O estudo da Curado & Associados é feito também para medir a reputação de marcas de empresas que contrataram consultora, que tem uma longa carreira de assessoramento de imagem para presidentes da República e candidatos.