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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Imprensa internacional repudia atitude de Bolsonaro

Equipe BR Político

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Depois que o presidente Jair Bolsonaro expôs num dos discursos mais marcantes do seu negacionismo à gravidade da epidemia do coronavírus na noite da terça-feira, 24, as críticas de autoridades não demoraram a vir. Pouco após o término da transmissão da fala do presidente em cadeia nacional, o presidente do Congresso, Davi Alcolumbre, soltou nota criticando a posição tomada por Bolsonaro ao afirmar que a preocupação e as medidas de quarentena em relação ao vírus são “histeria” e jogar a culpa de uma possível crise econômica na mídia e nos governadores e prefeitos. Nesta quarta, a mídia internacional também repercutiu a postura do presidente frente à pandemia. 

Uma análise publicada nesta quarta pelo jornal americano Washington Post compara a atitude de desprezo de Bolsonaro pela gravidade da pandemia e do presidente americano Donald Trump. “Tanto Trump quanto Bolsonaro estão frustrados com as medidas que estão sendo adotadas em seus países para conter a propagação do vírus. Eles temem os impactos dessas políticas na economia e em seus futuros políticos. À medida que a crise se desenrola, os dois líderes ficaram no ‘banco de trás’ em relação a governadores e prefeitos de estado mais proativos. Enquanto isso, eles têm alimentado as chamas de guerras culturais auto-engrandecedoras às sombras da pandemia”, diz o texto publicado pelo jornal.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Isac Nóbrega/PR

O maior jornal dos Estados Unidos, o The New York Times, também mencionou o pronunciamento do presidente nesta quarta, em uma reportagem que coloca o seu comportamento para lidar com a epidemia de coronavírus como dissonante em relação à atitude de outros governantes de países da América Latina, que tomaram medidas duras para conter a disseminação da doença. 

“A maioria dos líderes na América Latina reagiu à chegada do coronavírus na região com rapidez e severidade: as fronteiras foram fechadas. Os voos foram interrompidos. Os soldados vagavam pelas ruas desertas, reforçando as quarentenas, e os profissionais médicos se preparavam para uma explosão de pacientes ao construir hospitais de campanha. Mas os presidentes do Brasil e do México, que governam mais da metade da população da América Latina – Jair Bolsonaro do Brasil e, em menor grau, seu colega mexicano, Andrés Manuel López Obrador – permanecem surpreendentemente desdenhosos”, começa a matéria. 

No jornal francês Le Monde, em uma análise das condições do combate ao coronavírus no mundo, o Brasil aparece representado pelo descaso do presidente. “No Brasil, onde há 2.201 casos do covid-19 e 46 mortes (são 48), as deficiências dos sistema de saúde, a pobreza e insalubridade em que vive grande parte da população ameaça agravar a epidemia na primeira economia da América Latina. Mas o presidente de extrema direita, Jair Bolsonaro, comparou as medidas de confinamento e fechamento de comércios e serviços públicos por Estados e municípios a uma política de ‘terra arrasada.'” / Roberta Vassallo