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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Incêndios em Mato Grosso já representam 25% dos registrados em julho

Equipe BR Político

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Os primeiros dois dias do mês de agosto contabilizaram 601 focos de calor no Mato Grosso, segundo a ferramenta interativa de monitoramento durante o período de proibição de queimadas do Instituto Centro de Vida (ICV). Esse valor representa 25% do número de focos de incêndio registrado no mês de julho inteiro no Estado.

O número de desmatamento da Amazônia em junho foi 10,6% maior do que o registrado no mesmo mês em 2019 Foto: Tiago Queiroz/Estadão

Segundo o cientista e ambientalista do Observatório do Clima, Carlos Rittl, esse aumento nas queimadas seria resultado do desmatamento dos últimos dois meses. “Especificamente em relação à Amazônia, quem desmata, coloca fogo na floresta mais ou menos dois meses depois que desmatou, porque é o tempo daquela vegetação morta perder umidade”, explica Rittl. “Se o fogo é colocado logo de início, ela não se alastra muito, porque a vegetação ainda está muito úmida. Agora, dois meses depois, a vegetação foi perdendo aquela umidade e ela está mais seca, então pega fogo mais fácil”, diz.

O comentário do ambientalista vem no contexto dos últimos dados divulgados pelo sistema de Detecção de Desmatamento em Tempo Real (Deter), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Segundo o instituto, o número de desmatamento da Amazônia em junho foi 10,6% maior do que o registrado no mesmo mês em 2019. Em comparação com maio, o aumento foi de 24,31% em relação ao mesmo mês do ano passado.

Para Rittl, os altos números dos primeiros dias de agosto deverão ser uma tendência para os próximos meses por causa da baixa precipitação em agosto e setembro. “A gente tende a ver nesses próximos meses, infelizmente, um aumento do número de incêndios e mais devastação”, prevê. / Júlia Vieira