Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Incertezas no Brasil com abastecimento de gás da Bolívia

Equipe BR Político

Com a renúncia do presidente Evo Morales e a incerteza em relação a quem assumirá em definitivo o comando da Bolívia, as negociações para importação de gás natural entre a Petrobrás e a estatal boliviana YPFB estão paralisadas. As duas empresas mantêm um contrato de fornecimento do combustível que termina no fim deste ano. Segundo o Valor, o embaixador da Bolívia no Brasil, José Kinn Franco, reconhece que a crise boliviana paralisa as negociações para renovar o contrato. O risco de desabastecimento para o Brasil, no entanto, é baixo, já que o País conta com outras fontes de fornecimento do combustível.

O contrato atual, que termina no dia 31 de dezembro, permite que a Petrobrás importe até 30 milhões de metros cúbicos do gás por dia. Para o novo acordo, a estatal brasileira já havia sinalizado que quer diminuir esse volume contratado, o que abre espaço para que a Bolívia negocie o fornecimento de gás com outros países por meio da YPFB, que tem monopólio para conduzir as negociações.

Segundo informações da Folha, manifestantes pró-Morales invadiram o campo de gás de Carrasco, em Cochabamba, base eleitoral do ex-presidente na segunda-feira, 11. Isso levou a um corte de aproximadamente 1,5 milhão a 2 milhões de metros cúbicos por dia na exportação do gás à Argentina, por razões de “convulsão social”. A Petrobrás também foi informada do risco na queda de fornecimento, mas avalia que a probabilidade de impacto no fornecimento é baixa. “Na situação atual, não há impacto no suprimento de gás natural da Bolívia para a Petrobrás”, disse a estatal em nota.

A Bolívia fornece atualmente um quinto do gás natural que é consumido no Brasil, e o restante é suprido por gás importado por navios, por meio de três terminais de regaseificação instalados no Rio de Janeiro, na Bahia e no Ceará. Além disso, o Gasoduto Bolívia Brasil também funciona como estoque de gás, e seria capaz de suprir o Brasil durante três dias em caso de interrupção total no fornecimento por parte da Bolívia.

 

Tudo o que sabemos sobre:

gás naturalcrise na BolíviaPetrobras