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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Inpe: Desmatamento sobe 29,5% em um ano

Equipe BR Político

Dados preliminares do Inpe mostram que o desmatamento na Amazônia cresceu 29,5% entre 1º de agosto de 2018 e 31 de julho deste ano, na comparação com os 12 meses anteriores. Esta é a maior taxa de desmatamento registrada na região desde 2008. A área desmatada, atualmente, chega a 9.762 km², o que equivale a aproximadamente 1 milhão de campos de futebol. ONGs da área ambiental afirmam que a responsabilidade pelo aumento é do governo federal, e criticam a falta de políticas públicas para conter a desflorestação.

Sobrevoo pelo estado do Pará em 2019, registra garimpos ilegais, extrativismo de madeira ilegal, queimadas desastrosas, campos gigantescos para gado e etc. FOTO: Fábio Nascimento / Greenpeace

Os quatro Estados em que mais houve desmatamento foram Pará, Mato Grosso, Amazonas e Rondônia. Juntos, os quatro Estados foram responsáveis por 84% de toda a devastação. Chamou a atenção também o Estado de Roraima, que teve uma alta de 216,4% de desmate no período. Para o diretor interino do Inpe, Darcton Policarpo Damião, isso pode significar que uma nova fronteira de desmatamento está se formando no Estado.

As informações foram obtidas por meio do Projeto de Monitoramento do Desmatamento na Amazônia Legal por Satélite (Prodes), do instituto. Como informa o Estadão, havia uma grande expectativa em torno dos números do Prodes, especialmente após a crise gerada entre o Inpe e o governo federal no final de julho deste ano. O presidente Jair Bolsonaro e o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, à época, desacreditaram o instituto, após o Inpe afirmar que outro sistema de monitoramento (o Deter) havia identificado uma alta de 50% na desflorestação entre agosto de 2018 e julho deste ano.

Desta vez, Salles reconheceu os dados, mas lembrou que esse é o terceiro ciclo de aumento do desmatamento ao longo da série histórica – houve um aumento médio por ano de 27,4% entre 1991 e 1994, e de 11,2% entre 1997 e 2005. Ele afirmou, ainda, que haverá na quarta-feira, 20, uma reunião em Brasília com os governos da Amazônia Legal para definir medidas para promover uma redução “de maneira sustentável”.

ONGs da área ambiental, com quem o ministro e o presidente Bolsonaro estão em pé de guerra, criticaram a falta de políticas objetivas do governo para lidar com o problema. Cristiane Mazzetti, da campanha Amazônia do Greenpeace, diz que o Planalto “não apresenta nenhuma política consistente para proteger a floresta e seus povos; pelo contrário, está ao lado do crime ambiental”.

“O projeto antiambiental de Bolsonaro sucateou a capacidade de combater o desmatamento, favorece quem pratica crime ambiental e estimula a violência contra os povos da floresta. Seu governo está jogando no lixo praticamente todo o trabalho realizado nas últimas décadas pela proteção do meio ambiente”, diz Mazzetti.

A WWF-Brasil também emitiu um posicionamento, afirmando que cerca de 20% da Amazônia já foi destruída e que a floresta se aproxima do ponto de não retorno, em que a Amazônia se transformará em uma savana. “Os números do Prodes confirmam o que o Deter e sistemas independentes já vinham apontando: o desmatamento vem crescendo vertiginosamente e, se o governo federal não modificar profundamente sua postura em relação ao tema, ele tende a crescer ainda mais no próximo ano, fazendo com que o país retroceda 30 anos em termos de proteção à Amazônia”, diz o diretor-executivo do WWF-Brasil, Mauricio Voivodic.

Imagens registradas pelo Greenpeace no município de São Felix do Xingu, no Pará. FOTO: Fábio Nascimento / Greenpeace

Sobrevoo pelo estado do Pará, na região da terra indígena de Ituna, em 2019. Imagens registradas pelo Greenpeace. FOTO: Fábio Nascimento / Greenpeace