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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Inquérito era uma das razões de Bolsonaro para interferir na PF

Vera Magalhães

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O inquérito das fake news que tramita no Supremo Tribunal Federal, que motivou as diligências da Polícia Federal nesta quarta-feira, 27, era uma das preocupações de Jair Bolsonaro para justificar sua obsessão por interferir no comando da Polícia Federal.

O presidente Jair Bolsonaro

O presidente Jair Bolsonaro Foto: Gabriela Biló/Estadão

Em mensagem para Sérgio Moro em 23 de abril, dia seguinte da reunião ministerial em que advertiu para a necessidade de trocas na PF para evitar operações em cima de familiares e amigos seus, Bolsonaro mandou para Moro, por WhatsApp, uma nota do site O Antagonista segundo a qual 10 de 12 deputados bolsonaristas seriam alvo do inquérito conduzido por Alexandre de Moraes. “Mais um motivo para troca”, escreveu Bolsonaro.

Moro lembrou que o inquérito corria em sigilo no STF e que a equipe da PF designada para atuar nele respondia diretamente ao ministro.

Diante da insistência de Bolsonaro em mexer no comando da PF, consumada com a demissão de Maurício Valeixo e sua substituição por Rolando Alexandre de Souza, o relator Alexandre de Moraes tomou precauções para “blindar” a equipe que atua no inquérito e impedir sua substituição.

Em ofício do dia 25 de abril, comunicou a PF que “as investigações neste inquérito (que apura a autoria e o financiamento dos protestos antidemocráticos) deverão ser conduzidas pela equipe composta pelos delegados federais Igor Romário de Paula, Denisse Dias Rosas Ribeiro, Fábio Alceu Mertens e Daniel Daher, que já atuam no Inquérito 4.781 (inquérito das fake news)”.