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por Marcelo de Moraes

Instituições financeiras investem US$ 18 bi em empresas associadas a conflitos indígenas

Equipe BR Político

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Relatório publicado na terça, 27, pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e Amazon Watch mostra uma movimentação de US$ 18 bilhões em investimentos feitos por seis instituições financeiras norte-americanas (BlackRock, Citigroup, J.P. Morgan Chase, Vanguard, Bank of America e Dimensional Fund Advisors), somente de 2017 a 2020, em empresas cujas atividades têm envolvimento com invasões, desmatamento e violações de direitos indígenas na Amazônia.

Foram mapeados casos envolvendo as mineradoras Vale, Anglo American e Belo Sun; as empresas do agronegócio Cargill, JBS e Cosan/Raízen; e as companhias de energia Energisa Mato Grosso, Equatorial Energia Maranhão e Eletronorte, abrangendo os estados do Pará, Maranhão, Mato Grosso, Amazonas e Roraima.

A JBS, diz o documento, comprou gado criado ilegalmente dentro das terras indígenas Uru-Eu-Wau-Wau (RO) e Kayabi (MT) – nesse caso, de um pecuarista que acumula mais de R$ 20 milhões em multas ambientais desde os anos 2000 por desmatar a Amazônia.

Em 2019, a Energisa Mato Grosso foi apontada pelo Ministério Público Federal como fornecedora de eletrificação rural a posseiros ilegais que vêm promovendo invasões ao território indígena Urubu Branco desde 1998. A empresa negou acesso aos dados pessoais dos invasores, enquanto rejeitou consistentemente eletrificação às aldeias alegando que o território estava sob disputa.

A mineradora canadense Belo Sun tem 11 onze processos de pesquisa em análise na Agência Nacional de Mineração que ameaçam diretamente as terras indígenas Arara da Volta Grande do Xingu e Trincheira Bacajá, no Pará, diz o relatório. A Vale também tem centenas de requerimentos para explorar dentro de terras indígenas na Amazônia, apesar de negar, aponta a Apib e a Amazon Watch. E a Estrada de Ferro Carajás afeta diretamente quatro terras indígenas: Rio Pindaré, Mãe Maria, Xikrin e Arariboia. A Vale é acusada por indígenas de descumprir seguidamente os acordos firmados para amenizar os impactos.

O relatório parte de pesquisas feitas pelo observatório jornalístico De Olho nos Ruralistas (DONR) e pela instituição de pesquisa holandesa Profundo. Este espaço está aberto às empresas citadas.