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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Butantan diz que evento grave ‘não teve relação’ com vacina

Equipe BR Político

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O presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, afirmou nesta terça-feira, 10, que o evento grave com um voluntário que participava dos testes da Coronavac não tem “nenhuma relação” com a vacina em fase três de estudos clínicos. Na noite da segunda, a Anvisa informou à imprensa que decidiu paralisar os estudos para analisar o ocorrido. 

O presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas

O presidente do Instituto Butantã, Dimas Covas Foto: Divulgação/Governo do Estado de SP

O diretor do Instituto que desenvolve junto à empresa chinesa Sinovac o imunizante contra a covid-19 reforçou que não foi registrada nenhuma reação adversa grave à vacina durante os testes. “Não tivemos e não temos”, disse. Segundo ele, o que ocorreu foi um “evento adverso”, que é diferente de uma reação e não tem relação com o imunizante. “Um evento adverso é um acontecimento, mas que não tem relação direta com a vacina, estamos falando de mais de 10 mil pessoas em acompanhamento”, disse Dimas. “Uma pessoa é atropelada quando sai de casa e morre – não estou dizendo que foi esse o caso – é um evento adverso. Isso é reportado, mas é um óbito pelo acidente, pela causa externa, sem nenhuma relação com a vacina.”

Segundo ele, o voluntário em questão foi a óbito por motivos que não têm “nenhuma relação” com a vacina testada. “E essa informação está de posse da Anvisa desde o dia 6”, afirmou. Ele disse esperar que a agência reguladora autorize a retomada dos testes no País entre esta terça e quarta-feira. “Estamos tratando aqui de um evento adverso grave que não tem relação com a vacina. 

O secretário de saúde do Estado, Jean Gorinchteyn e o diretor do Butantan se disseram surpresos com a decisão e afirmaram que a Agência não comunicou previamente a decisão ao Instituto, apenas enviou um e-mail 20 minutos antes do anúncio à imprensa convocando para uma reunião na manhã de hoje. “Causa surpresa, insegurança e no caso de nós do Butantan, causa indignação. Porque o processo da forma como aconteceu poderia ter sido diferente. O Butantan tem 119 anos de história. As vacinas que o Butantan produz têm a segurança atestada pelo uso de milhões de doses. 80 milhões de brasileiros tomaram neste ano a vacina do Butantan sem nenhum problema”, afirmou Dimas Covas na coletiva.

“Quero acreditar que a Anvisa seja técnica e independente. Desde a sua constituição, essa independência e parte técnica do órgão é fundamental. A Anvisa é a guardiã sanitária do País e tem de se preocupar, sim, com tudo o que é relacionado à saúde, e ter critérios”, disse Covas. “Se esse episódio representa alguma mudança [na postura técnica], não creio e não quero acreditar. Vou atribuir isso a uma dificuldade de comunicação, preocupação exagerada e fatores que podem ser resolvidos rapidamente. Quero acreditar nisso”, afirmou.

Governo considera suicídio como causa

A Secretaria de Estado da Saúde considera que a causa provável da morte do voluntário tenha sido suicídio, de acordo com as informações disponíveis até o momento, informou o Estadão nesta terça. A informação foi confirmada ao jornal, por, além de integrantes da Pasta, também outras pessoas familiarizadas com o caso.