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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Investidores internacionais fazem apelo contra desmatamento no Brasil

Equipe BR Político

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Um grupo de 30 instituições financeiras internacionais, que gerem US$ 3,75 trilhões, enviou uma carta na segunda, 22, a seis embaixadas do Brasil na Europa, no Japão e EUA com alertas de que podem retirar recursos do Brasil caso o governo brasileiro não detenha o aumento do desmatamento. O texto, publicado no jornal britânico Financial Times, cita a declaração do ministro do Meio Ambiente de “passar a boiada”, o projeto de lei de regularização fundiária e a proteção dos povos indígenas nesta pandemia. Eles lembram ainda que os títulos da dívida pública brasileira podem ser carimbados como de risco elevado, o que traria impacto para o Tesouro Nacional.

Desmatamento de floresta amazônica no Mato Grosso

Desmatamento de floresta amazônica no Mato Grosso Foto: Tiago Queiroz/Estadão

O alerta é mais um de uma série de mensagens já emitidas por investidores globais, multinacionais e, a mais recentemente, do presidente do Unibanco, Candido Bracher, contra o desmatamento no Brasil. “Estamos vendo a Amazônia com incêndios 60% maiores que no ano passado. Precisamos, enquanto sociedade, nos mover contra isso”, defendeu Bracher hoje durante debate virtual promovido pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban).

Os investidores internacionais escrevem que querem ajudar o Brasil “a mostrar que o desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente não precisam ser mutualmente excludentes”.

O desmatamento acumulado na Amazonia Legal nos cinco primeiros meses de 2020 é o maior registrado para o período desde 2015, quando teve inicio a serie histórica do sistema Deter-B, do Inpe. Entre 1º de janeiro e 31 de maio, houve alertas de desmatamento para 2.034 km2 no bioma. O valor é 34% maior que o do mesmo período do ano passado e 49% acima da média dos quatro anos anteriores (2016-2019), que foi de 1.363 km2.