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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Investigação sobre supostas doações a MBL fala em ‘nova técnica de lavagem’

Equipe BR Político

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A investigação que apura suspeitas de lavagem de dinheiro envolvendo o Movimento Brasil Livre (MBL) no Ministério Público de São Paulo encontrou indícios de uma nova técnica, aos olhos do órgão, de ocultação de doações com o uso de ferramentas de pagamento do Google do Youtube. A apuração fala em uma “nova técnica de lavagem de capitais com valores relevantes e sem lastro de origem.” 

O uso das ferramentas Google Pagamentos e Superchat, do Youtube, de acordo com os promotores, era uma estratégia para ocultar a origem do dinheiro recebido. Segundo os investigadores, no caso do Google Pagamentos, as doações passavam pela plataforma, que desconta 30%, ao invés de serem depositadas diretamente nas contas do movimento. Pelo Superchat, opção do YouTube que possibilita aos usuários pagarem para ter comentários destacados em transmissões ao vivo, o objetivo seria o mesmo, porém os pagamentos teriam sido feitos em pequenas parcelas, de em média R$ 200 ou R$ 300 por live, o que, segundo o MP, torna as contribuições “muito menos rastreáveis” por órgãos de investigação ou controle, pois podem ser feitas através de cartões pré-pagos comprados anonimamente online.

Na manhã da sexta-feira, 10, uma força-tarefa da Polícia Civil, Ministério Público de São Paulo e Receita Federal deflagrou operação no âmbito da investigação e prendeu Alessander Mônaco Ferreira e Carlos Augusto de Moraes Afonso, mais conhecido como Luciano Ayan. Ambos são investigados por lavagem de dinheiro e ocultação de patrimônio. Eles teriam desviado de mais de R$ 400 milhões de empresas, segundo a polícia. O suposto esquema de lavagem de dinheiro contaria ainda com apoio físico de empresas de fachada, usadas apenas para movimentar valores de origem ainda não identificada, segundo os investigadores.

“A família Ferreira dos Santos, criadora do MBL, adquiriu/criou duas dezenas de empresas – que hoje se encontram – todas – inoperantes e, somente em relação ao Fisco Federal, devem tributos, já inscritos em dívida ativa da União, cujos montantes atingem cerca de R$ 400 milhões”, dizem os investigadores. 

Na sexta, o MBL soltou uma nota negando que os dois homens presos na operação integrem ou tenham integrado em algum momento o movimento. O Google, em resposta, afirmou apoiar “de modo consistente, o importante trabalho das autoridades investigativas.”