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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Irã cobra explicações do Brasil

Vera Magalhães

O Irã passou a cobrar explicações do Brasil quanto ao posicionamento do País diante do conflito com os Estados Unidos. Os jornais informam que a encarregada de negócios da embaixada do Brasil em Teerã, Maria Cristina Lopes, foi convocada pela chancelaria iraniana para uma reunião, cujo teor, por ser sigiloso, não foi informado pelo Itamaraty.

A reação iraniana se deve a uma nota emitida pelo Itamaraty um dia depois do ataque norte-americano que matou o general iraniano Qassim Suleimani em Bagdá, na semana passada. Na nota, o Ministério das Relações Exteriores diz que o Brasil apoia a luta contra o “flagelo do terrorismo”.

Ontem, em Brasília, Bolsonaro chegou a dizer que Suleimani, considerado herói nacional no Irã, não era sequer general, e relativizou a importância do conflito para o Brasil, como analisamos na nossa newsletter BRPolítico Analisa. Na semana passada o presidente Jair Bolsonaro disse que evitaria opinar sobre o ataque norte-americano ao general iraniano por não dispor de “poderio bélico”, mas ontem reiterou apoio a Donald Trump e disse não ter nenhuma crítica a fazer aos Estados Unidos.

A tensão com Teerã, no entanto, não interessa ao Brasil, que tem relações comerciais profícuas e crescentes com o Irã e com demais países do Oriente Médio. Há uma missão de representantes do agronegócio brasileiro ao Irã marcada para maio, justamente pelo interesse brasileiro em ampliar o comércio com o país. As exportações brasileiras para o Irã somaram US$ 2 bilhões em 2019, puxadas por produtos como carne, soja, milho e açúcar.