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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Isolar o presidente ‘seria golpe’, diz Bolsonaro

Equipe BR Político

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O presidente Jair Bolsonaro começou nesta segunda, 16, a “revidar” as “pancadas” que diz receber do mundo político após reclamar das críticas dos presidentes da Câmara e do Senado, Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP), respectivamente, à sua postura negligente de fazer contato com apoiadores em ato de defesa do seu governo e contra o Congresso em plena pandemia do coronavírus. Para ele, a dupla que preside as Casas legislativas está “em luta pelo poder” e considerou um “ataque frontal” a declaração de que ele teria agido de forma “irresponsável”, conforme disse Maia. “Grande parte da mídia, chefes do Legislativos e alguns governadores estão batendo o tempo todo. Estou há 15 meses calado, apanhando, agora vou falar”, prometeu em entrevista à Rádio Bandeirantes. O presidente saudou pessoalmente sua claque no domingo porque, diz, teria “a obrigação de saudar o povo. Se eu me contaminei, ninguém tem nada a ver com isso”. Questionado sobre a possibilidade de ser alvo de um pedido de impeachment, Bolsonaro respondeu que “seria um golpe se isolar chefe do Executivo por interesses que não sejam republicanos”.

O presidente Jair Bolsonaro saindo do Palácio da Alvorada

O presidente Jair Bolsonaro saindo do Palácio da Alvorada Foto: Adriano Machado/Reuters

O presidente avaliou que um afastamento só poderia ocorrer “se o povo estiver favorável a isso”, sem mencionar outras variantes que levariam à abertura de um processo de impeachment, como falta de respaldo do Legislativo e ambiente econômico desfavorável. “Eu não abuso e não tenho qualquer envolvimento com corrupção. E terceiro fato: um impeachment só pode haver, no meu entender, se o povo estiver favorável a isso. Não existe nenhum ingrediente no tocante a isso daí.” A hashtag #ImpeachmentdoBolsonaroUrgente figura neste meio da tarde como o assunto mais comentado do Twitter.