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por Marcelo de Moraes

Itamaraty pede que países rejeitem resultado das eleições na Venezuela

Equipe BR Político

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Em declaração conjunta com outros 15 países, o Brasil afirmou, nesta segunda-feira, 7, que a eleição realizada ontem na Venezuela foi organizada “sem as garantias mínimas de um processo democrático”. Em nota divulgada há pouco pelo Itamaraty, o grupo de países convoca a comunidade internacional a “se unir na rejeição”ao processo eleitoral e a “apoiar os esforços para a recuperação da democracia” no país. O documento pede ainda que os venezuelanos “de todas as tendências ideológicas”se unam para a realização de “eleições presidenciais e parlamentares livres, justas e críveis o mais rapidamente possível”.

Eleitores fazem fila para votar em escola de Caracas: legitimidade da Assembleia esbarra na ausência dos principais nomes da oposição Foto: Cristian Hernandez / AFP

O pleito, que foi organizado sob a batuta do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, escolherá os 227 novos integrantes da Assembleia Nacional. A votação foi boicotada pelo opositor do chavismo Juan Guaidó e seus aliados.

Ainda no domingo, após a divulgação dos resultados, chanceleres de Brasil, Canadá e EUA declararam não reconhecer o resultado do pleito. O processo eleitoral, que registrou 69% de abstenção após denúncias de fraude e boicote da oposição, apontou vitória chavista do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).

Leia a íntegra da nota abaixo:

Os signatários (*), um grupo de países interessados ​​na crise multidimensional que afeta a Venezuela, incluindo membros do Grupo de Lima e outros países comprometidos em apoiar o retorno da democracia, declaram o seguinte:

1. Reiteramos que as eleições de 6 de dezembro para renovação da Assembleia Nacional da Venezuela, organizadas pelo regime ilegítimo de Nicolás Maduro, carecem de legalidade e legitimidade pois foram realizadas sem as garantias mínimas de um processo democrático, de liberdade, segurança e transparência, e sem integridade dos votos, participação de todas as forças políticas ou observação internacional.

2. Exortamos a comunidade internacional a se unir na rejeição a essas eleições fraudulentas e a apoiar os esforços para a recuperação da democracia, do respeito pelos direitos humanos e do Estado de Direito na Venezuela.

3. Exortamos os atores de toda a Venezuela, de todas as tendências ideológicas e filiações partidárias, a colocarem os interesses do país acima de tudo e a se comprometerem urgentemente com um processo de transição, definido e impulsionado pelos venezuelanos, de modo a encontrar uma solução pacífica e constitucional que leve o país a eleições presidenciais e parlamentares livres, justas e críveis o mais rapidamente possível.

(*) Países signatários: Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica Equador, El Salvador, Guatemala, Guiana, Haiti, Honduras, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana, Santa Lúcia.