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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

‘Já viu grileiro ter cabeça raspada e ser jogado para imprensa?’

Equipe BR Político

“Você já viu algum grileiro, com provas cabais de grilagem, ter a cabeça raspada e ser jogado para a imprensa com roupa de presidiário?”, questiona ao Estadão Caetano Scannavino, fundador da ONG Saúde & Alegria, investigada em  inquérito controverso da Polícia Civil sobre incêndios criminosos em Alter do Chão (PA). A situação de ter a cabeça raspada e mostrada à imprensa ocorreu com os brigadistas presos e acusados pela Polícia Civil de tacar fogo na Amazônia para desviar recursos de preservação do bioma, com participação do ator Leonardo Di Caprio. A defesa da Saúde & Alegria está sob responsabilidade do criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira.

“Se fala que foi usada uma conta do Saúde e Alegria como laranja para a doação do dinheiro, mas qual conta? Quando se fala que tem um vídeo dos meninos colocando fogo, cadê o vídeo? Por que ele não apresentou esse vídeo? Por que não estão nos autos? Por que ele fala pra imprensa isso e não mostra? Cadê essa conta do Saúde & Alegria?”, indaga Scannavino.

Na entrevista, além de cobrar um “pedido de desculpas” da Polícia Civil, ele faz vários elogios à corporação. Para ele, a “melhor medida” seria, em caso de federalização do caso, que a PF trabalhasse com a PC.  “Para mim, é muito importante que a Polícia Civil seja mantida no caso (…) Todo meu respeito à Polícia. A Polícia vive em um nível de estresse e é suscetível a erros. Queremos que esse sofrimento todo dos nossos familiares, dos nossos parceiros, dos brigadistas, das equipes, não seja em vão. Que a gente possa amadurecer para que a Polícia possa dar um passo à frente. Eu serei o primeiro a ajudar a fazer campanha para ajudar a fortalecer a estrutura da Polícia Civil, da Polícia Federal, para que situações como essa não se repitam”.