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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Bolsonaro e Aras afinados sobre Adélio

Vera Magalhães

A manifestação, surpreendente e algo aleatória, quando foi feita, de Augusto Aras de que é difícil acreditar que Adélio Bispo tenha agido sozinho no atentado contra Jair Bolsonaro casou perfeitamente com as novas declarações, dadas dias depois da entrevista do procurador-geral da República, do presidente de que vai querer que seja reaberta a investigação sobre um mandante do crime.

O presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral da República, Augusto Aras

O presidente Jair Bolsonaro e o procurador-geral da República, Augusto Aras. Fotos: Dida Sampaio/Estadão

A afinação sobre o tema evidencia que ele fez parte das conversas prévias que ambos tiveram antes de Bolsonaro indicar o nome de Aras para a PGR. É bastante inusitado que o chefe do Ministério Público se antecipe a um pedido que deve ser feito pela defesa da vítima num caso tão delicado do ponto de vista político. E é preocupante que, já indicado e empossado, o novo PGR pareça ainda, e reiteradamente, disposto a cumprir uma agenda previamente acertada, que parece ter sido combinada como condição para que ele galgasse o posto que alcançou.