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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

A Opinião do Estadão: Novo acerto em novo recuo

Equipe BR Político

“Recuando mais uma vez, o presidente Jair Bolsonaro decidiu defender a manutenção do teto de gastos, em vez de propor o afrouxamento da regra orçamentária. Romper o teto seria “abrir uma rachadura no casco do transatlântico”, afirmou ele, ontem de manhã, em sua conta no Twitter. Como em outras ocasiões, o recuo foi acertado. No dia anterior, quarta-feira, o porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, havia dado à imprensa uma informação diferente. Segundo ele, o governo estudava medidas para mexer na restrição e aumentar as despesas sem elevar impostos. O presidente, segundo informou o Estado, tinha ido ao Ministério da Economia para conversar sobre o assunto com o ministro Paulo Guedes. A mensagem postada na manhã seguinte mostrou, sem acrescentar explicação, uma saudável mudança de propósito.

O presidente da República, Jair Bolsonaro.

Foto: Gabriela Biló/Estadão

O ministro Paulo Guedes vinha resistindo, como já se havia noticiado, a pressões da Casa Civil e da cúpula militar a favor de um relaxamento da regra do teto. Essa regra, criada por emenda constitucional no governo do presidente Michel Temer, só permite corrigir pela inflação a despesa orçamentária. Ainda na quarta-feira, o presidente havia de novo reclamado, diante de jornalistas, em Brasília, do aperto previsto na proposta de Orçamento para 2020. Horas depois a decisão de mudar o limite seria informada pelo porta-voz.”

Diz trecho de editorial do Estadão desta sexta-feira, 6.