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por Marcelo de Moraes

Japão investiga mutação do Sars-CoV-2 em viajantes do Brasil

Equipe BR Político

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O Japão identificou uma nova variante do vírus Sars-CoV-2 detectada em quatro brasileiros que estiveram no Amazonas e hoje estão no país asiático. No momento, não há estudos conclusivos sobre o poder de transmissão da nova cepa. “Para analisar melhor a variante, primeiro temos de isolá-la”, explicou um responsável do Ministério japonês da Saúde à AFP.  “Isso pode levar de várias semanas a vários meses” e, “portanto, é difícil dizer agora quando poderemos dar detalhes”, acrescentou.

A variante foi descoberta em dois adultos e duas crianças que chegaram ao Japão em 2 de janeiro. Uma das pessoas, um homem na casa dos 40 anos, foi hospitalizado, devido a dificuldades respiratórias. A mulher e uma das crianças, um menino, apresentaram sintomas moderados, disseram as autoridades. A quarta pessoa, uma menina, é assintomática.

Variante encontrada nos viajantes procedentes do Brasil é diferente das detectadas no Reino Unido e na África do Sul, que levaram à disparada de novos casos. Foto: Kim Kyung-Hoon/Reuters

De acordo com o vice-diretor de Pesquisa e Inovação da Fiocruz Amazônia, Felipe Naveca, há hoje no Brasil cerca de 30 linhagens do novo coronavírus, sendo que ao menos 11 delas circulam no Amazonas. Segundo ele, quanto maior a disseminação do vírus, maiores as chances de mutação.

Em entrevista à rádio CBN, o pesquisador alerta sobre a importância do distanciamento social e uso de máscaras para conter o contágio. “O vírus, seja ele o mutante ou o selvagem, ele não vai passar pela máscara, ele não vai resistir à lavagem das mãos com sabão ou álcool gel. Então, as medidas de distanciamento social e as medidas de utilização de EPI como a máscara e a lavagem da mãos continuam sendo extremamente eficazes. A gente precisa, nesse momento, diminuir a circulação do vírus porque isso vai nos ajudar a desacelerar esse processo de evolução do vírus, e a gente precisa demais da ajuda da população”, disse.

Em nota, o Ministério da Saúde diz que solicitou ao governo japonês informações sobre a nacionalidade dos viajantes e sobre os locais por onde eles passaram no Brasil para “rastreamento de potenciais contatos”.

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