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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Jogos de azar com acesso privilegiado ao Ministério da Economia

Equipe BR Político

Tema indigesto para a bancada evangélica, o lobby dos jogos de azar não está presente apenas no Congresso. Tem passagem de oito meses, ao menos, pelo Ministério da Economia, segundo reportagem do Estadão deste domingo, 16. O advogado carioca Pedro Trengrouse, ligado ao Instituto Brasileiro de Jogos (IBJ), era assessor técnico não remunerado da pasta para assuntos relacionados a jogos e apostas. Ele “participava de discussões sobre a regulamentação de apostas esportivas, propunha soluções, analisava projetos estratégicos nas áreas de apostas esportivas, loterias e entretenimento, participava de reuniões junto ao Ministério da Economia, ao Congresso Nacional, outros órgãos governamentais, organizações da sociedade civil e organismos internacionais e de cooperação multilateral”, diz o texto.

Em 2019, aproveitando o acesso privilegiado de caráter voluntário à equipe econômica, embora antes desse posto declinara do comando da Subsecretaria de Prêmios e Sorteios do Ministério da Economia, Trengrouse ofereceu serviços particulares de seu sócio, o economista Edson Américo, no valor de US$ 1,5 milhão (R$ 6,4 milhões) ao diretor de relações institucionais da Remote Gaming Association (RGA), entidade que representa as maiores empresas de apostas online da Europa. A RGA não aceitou a proposta, no entanto.

Em resposta ao jornal, ele afirma que o “Brasil precisa de estudos independentes para balizar a discussão sobre a regulamentação de jogos no país, que vem acontecendo de forma superficial. A finalidade dessa ideia era justamente a geração de conhecimento específico no Brasil através de um estudo independente”.