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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Joice cita bombeiros para atuarem como professores no pós-pandemia

Alexandra Martins

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A candidata do PSL à Prefeitura de São Paulo, Joice Hasselmann, afirmou nesta sexta, 9, que tem conversado com bombeiros dispostos a atuarem como professores voluntários da rede municipal de ensino ao ser questionada sobre a necessidade de reforço orçamentário em educação no pós-pandemia, caso seja eleita, em live do BR Político. “Não necessariamente (mais dinheiro), se preciso for, a gente coloca (mais dinheiro). Pode fazer chamamento. Eu tenho conversado com muita gente que não esta mais na ativa, pessoas que se aposentaram, mas com capacidade intelectual vibrando e que dizem: ‘Eu posso ajudar, eu topo ser voluntário’. Eu tenho conversado com bombeiros que dizem que estão na reserva e topam voltar para ajudar. O brasileiro é muito solidário”, disse a deputada federal.

Segundo a candidata, será preciso fazer dois anos em um na tentativa de corrigir o atraso no ensino decorrente da pandemia. Uma das ideias “possíveis” seria oferecer escolas em tempo integral num sistema “mesclado” com ensino em casa pela internet. As salas de aula seriam divididas por níveis de aprendizado. Para aqueles que não tiveram acesso qualquer à educação à distância, seriam colocados de 2 a 3 professores nessas classes. “Vai ter reforço da mão de obra do professor, vai ter reforço escolar pós-sala de aula e vai ter que ter um contraturno também com teleaula”, detalhou.

Seu plano urbanístico para a Capital inclui a melhoria dos Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepac), que são valores mobiliários emitidos pela Prefeitura. “É trazer de volta a ideia original do Cepac, tirar algumas figuras que entraram na frente e compraram todos os direitos do Cepac e fizeram disso um grande banco de negócios privado e transformar os munícipes em sócios da cidade”, disse.

No entanto, Joice destacou que a classe média não pode mais ser “empurrada para a periferia” ao ser questionada se a cidade se verticalizaria com a proposta. “A cidade tem que crescer para tudo, mas em algumas regiões mais pra cima. Não tem sentido a gente ter aqui em São Paulo a população, não só a mais pobre, mas também a classe média ser empurrada para a periferia. E não estou dizendo de proposta esquerdista de fazer prédio da Cohab no Jardim Europa (bairro rico da Capital). Estou falando de uma coisa inteligente, que aproveitemos bem o terreno”, afirmou.

A revitalização do centro de São Paulo entraria nesse pacote para oferecer moradia popular à população carente e também a policiais, que enfrentariam o problema de esconder a farda nas favelas onde vivem. “Não tem sentido ele (policial) morar na favela (…) Ele deve morar perto do centro, onde ele vai me ajudar”, disse. Seriam criadas parcerias com a iniciativa privada para “retrofitar” os edifícios abandonados do centro da cidade.

Sobre a irregularidade na declaração de bens em 2018 ao Tribunal Superior Eleitoral quando foi candidata a deputada, Joice afirmou que mandou toda sua declaração à direção estadual do PSL, então presidido por Eduardo Bolsonaro, seu hoje desafeto, mas que “eles botaram na gavetinha”. “Em 2018, houve um erro do meu partido, não vou dizer se foi proposital ou não, porque quem comandava meu partido era Eduardo Bolsonaro. A gente pode imaginar que pode ter sido proposital. Eu mandei todos os documentos e eles fingiram que eu não mandei a declaração do imposto de renda dos meus bens”, alega.

Quanto a sua rejeição de 19% registrada pelo Ibope, Joice afirmou que nunca acreditou em pesquisas eleitorais e que hoje haveria “uma esculhambação acima dos limites”, deixando a dúvida se os institutos de pesquisas não estariam sendo comprados. “Não sei se é a mesma coisa que aconteceu com o Marcelo Crivella (prefeito do Rio de Janeiro), que deram dinheiro pro Ibope, se estão dando dinheiro para outros institutos, todo mundo sabe que o Palácio do Planalto tem uma relação freudiana comigo. Pode ser que estejam atuando aí. Alem de não acreditar em pesquisa hoje, elas são feitas por recall. Vamos deixar a campanha andar”, concluiu.