Imagem da Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Jorge Oliveira: ‘Não podemos dispensar pessoas como se fossem peças’

Marcelo de Moraes

Exclusivo para assinantes

O ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, defendeu hoje a modernização do Estado brasileiro, lembrando que ele precisa atender às pessoas. Diferentemente da polêmica criada na semana passada, quando o ministro da Economia, Paulo Guedes, comparou os servidores a parasitas e precisou se desculpar depois, Oliveira mostrou uma visão mais ponderada e destacou a importância do papel de servidores mesmo em áreas que passaram por transformações profundas na sua maneira de funcionar.

Ministro da Secretaria Geral da Presidência da Republica, Jorge Oliveira

Ministro da Secretaria Geral da Presidência da Republica, Jorge Oliveira Foto: Dida Sampaio/Estadão

Durante seu discurso na abertura do Seminário Internacional Desafios para a Modernização do Estado, o ministro aproveitou que o evento se realizava no auditório da Imprensa Nacional para usar o órgão como exemplo dessa visão.

“Estamos num auditório de um complexo da Imprensa Nacional. Um dos órgãos mais antigos do Estado brasileiro, de 1808. Até novembro de 2017, muito recente, rodávamos aqui o Diário Oficial da União impresso. Era jornal físico, papel. E fazíamos isso aqui e distribuíamos para todo o País. Em novembro de 2017, acabou essa impressão. E, no dia seguinte, o Diário era integralmente digital. Mas tínhamos equipamentos, tínhamos estrutura física, e, sobretudo, tínhamos pessoas, que, em dado momento, o Estado brasileiro chamou para prestar um serviço que era relevante: o Diário Oficial da União, responsável por divulgar, publicar os atos normativos, e demais comunicados, e, sobretudo, dar efeito jurídico àquilo que se propõe”, citou.

E o ministro continuou: “Então, é um desafio muito grande, porque nós não podemos, num estalar de dedos, dispensar as pessoas como se fossem peças, jogar as máquinas fora porque não servem mais. Tivemos de fazer um processo gradativo de readaptação de estrutura, de equipamentos e, sobretudo, de trazer as pessoas conosco. Porque prestaram, efetivamente, ao Estado brasileiro um serviço que era essencial. Foram chamados para isso, aceitaram esse desafio. Mas a modernidade chegou e nós temos de nos adaptar. De modo que tem o nosso reconhecimento. Não seríamos o que somos hoje se não fossem as pessoas que nos antecederam. E buscar a modernidade também é valorizar aquilo que nos fez chegar até aqui, com muita responsabilidade”.

Oliveira lembrou que o presidente Jair Bolsonaro tem orientado seus ministros que trabalhem para simplificar o funcionamento do Estado.

“Antes de nós pensarmos em processos, fluxos, tecnologias, para modernizar o Estado, se nós não promovermos uma mudança cultural nas pessoas, de nada vai adiantar”, afirmou.

“Se não enxergarmos um Estado moderno como aquele que efetivamente atende as pessoas, não adianta termos tecnologia, não adianta termos digitalizações, desburocratizações. O Estado tem de servir as pessoas. E é assim que nós temos de entender. Presidente Bolsonaro tem dado orientações claras no sentido de que possamos simplificar a relação das pessoas com o Estado. E aí faço uma referência pontual, por exemplo, na parte de legislação. Não só temos procurado fazer normas mais claras, que sejam mais compreensíveis para todos os brasileiros, como também reduzido o número de normas”, disse.

O ministro ressaltou que esse processo “não é algo que a gente faz hoje, está pronta e acabada”. “Ela é permanente. E por ser permanente é um desafio constante de nos mantermos atentos para que possamos fazer a autocrítica diária e termos a convicção que já estamos obsoletos. E geralmente também ficamos muito presos nas nossas convicções”, avalia.

“O presidente nos cobra o tempo todo essa mudança de postura, a mudança de condução, de modo que a gente seja mais simples, que a gente seja compreendido pelas pessoas mais simples do nosso País. Que essas pessoas mais simples possam ter acesso a qualquer serviço do Estado, como qualquer pessoa”, destacou.