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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Justiça Eleitoral atende pedido de Russomanno e suspende pesquisa Datafolha

Equipe BR Político

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A pedido do candidato Celso Russomanno (Republicanos), que vem derretendo nas intenções de voto nas últimas pesquisas, o Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo decidiu suspender a divulgação do último levantamento do Datafolha com publicação prevista para esta quarta-feira, 11.  

O candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (Republicanos)

O candidato à Prefeitura de São Paulo Celso Russomanno (Republicanos) Foto: Werther Santana/Estadão

Assinada pelo juiz eleitoral Marco Antonio Martin Vargas, a decisão afirma que a pesquisa está em desacordo com a legislação eleitoral pela ausência de ponderação dos entrevistados em relação a renda, ausência de assinatura ou certificação digital do estatístico responsável pela pesquisa, fusão irregular em estratos de graus de instrução e exclusão de eleitores analfabetos e que sabem apenas ler e escrever, e simulação tendenciosa de segundo turno pela ausência de simulações sem o candidato a reeleição, prefeito Bruno Covas (PSDB).

A estratégia do candidato de pedir a impugnação da pesquisa vem em momento que, a poucos dias do primeiro turno, Russomanno aparece nas pesquisas em queda livre. Levantamento do Ibope publicado na segunda mostrou que o candidato está empatado tecnicamente com Guilherme Boulos (PSOL) e Márcio França (PSB) e pode ficar fora do segundo turno.

O diretor de pesquisas do Datafolha, Alessandro Janoni, afirmou à Folha de S.Paulo que o pedido “causa espanto e é preocupante”. “Justamente agora quando o candidato que solicita a censura apresenta queda nas intenções de voto. É um ataque ao direito do eleitor de se informar, uma ação antidemocrática”, afirmou. 

Em resposta, o Datafolha escreveu: “O instituto Datafolha, com 35 anos de experiência em pesquisa eleitoral, utiliza os métodos consagrados da pesquisa estatística para apurar a intenção de voto dos cidadãos brasileiros. Chama a atenção a contestação ter vindo a cinco dias das eleições municipais e justamente da parte do candidato que mais pontos perdeu nos últimos três levantamentos.”

Em nota, a Associação Nacional de Jornais lamentou a decisão e classificou como “mais um caso de censura judicial”.  “A ANJ protesta contra a decisão e espera que ela seja rapidamente revogada, pois o acesso às informações contidas na pesquisa é um direito de todos os cidadãos, sobretudo dos eleitores paulistanos”, diz o texto.