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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Kassab: ‘Na eleição de prefeito, quem nacionaliza campanha, quebra a cara’

Marcelo de Moraes

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Presidente nacional do PSD, Gilberto Kassab tem experiência suficiente para afirmar que, por mais que o clima político nacional esteja acirrado, pode ser um erro fatal nacionalizar as campanhas locais. Ex-prefeito de São Paulo, ex-ministro dos governos de Dilma Rousseff e de Michel Temer, Kassab se aproximou politicamente do presidente Jair Bolsonaro.

Em entrevista ao BRPolítico, disse que na campanha municipal o eleitor vai priorizar questões que envolvem suas situações cotidianas. “Na eleição de prefeito, em geral, quem nacionaliza a campanha quebra a cara. As pessoas querem saber sobre a poda da árvore, o buraco na rua, sobre o que você vai fazer para a Saúde, para a Educação”, disse.

Gilberto Kassab. Foto: Dida Sampaio/Estadão

A seguir, os principais trechos da entrevista:

Com a pandemia, a campanha deverá ter muito menos atividades de rua. Como esse fator pode pesar nas eleições municipais?

Kassab – Essa vai ser uma eleição atípica, isso é evidente. Com a televisão e o rádio retomando um papel muito importante. Porque vínhamos, a cada eleição, vendo o rádio e a tevê perdendo espaço para as redes sociais. Agora, é evidente que rádio e tevê recuperaram essa importância porque as pessoas estão mais em casa, vão assistir mais, vão ter mais tempo. Sem tirar a importância das redes sociais. Claro que os candidatos que tiverem melhor vocação para operar redes sociais, vão levar grande vantagem. Só que a maior parte dos candidatos já se preparou para isso. Aprenderam a usar. Conclusão: mesmo sem usar as ruas, os candidatos vão poder se apresentar para mais pessoas. E hoje qualquer candidato sabe operar bem as redes sociais. A televisão e o rádio, ao lado das redes sociais, vão ser o coração de todas as campanhas. Porque as reuniões presenciais vão ser com poucas pessoas.

Sem campanha de rua, vai se gastar menos dinheiro nessa eleição?

Essa é outra conclusão importante: as campanhas ficaram bem mais baratas. A própria legislação eleitoral hoje já é muito proibitiva, comparando-se com eleições anteriores. Não tem brinde, não tem placa, não tem camiseta, não tem show. E agora, com as restrições da pandemia, você traz como consequência um maior barateamento ainda das campanhas.

Vai ter também menos cabo eleitoral?

O cabo eleitoral, a pessoa que é contratada para levar mensagem, para montar infraestrutura da campanha, hoje ele está limitado. Porque a visita física, a abordagem, se ela não for feita com muito cuidado, as pessoas se sentem agredidas, ofendidas. E o candidato vai ser entendido como uma pessoa que falta com respeito, que é invasiva.

Se a campanha será mais barata, vai sobrar dinheiro? Vai dar para devolver parte dos recursos do financiamento público?

Não vai ter sobras de recursos. Vai ter falta de recursos. Mas acho que vai faltar menos. O Brasil está vivendo uma transição. Saímos de um financiamento privado para o financiamento público. Eu mesmo, que sempre defendi o financiamento privado, hoje defendo o financiamento publico. Ficou claro que, no Brasil, não deu certo o financiamento privado. E nós estamos num processo de aprendizagem. Falando sempre das pessoas de boa fé, claro. Que estão aprendendo a desempenhar melhor o seu papel de candidato, com campanhas mais baratas, usando menos recursos. E que sabem que existe a obrigatoriedade de uma transparência adicional, porque os recursos, agora, são públicos. Então, estamos vivendo um processo de aprendizagem muito importante, muito saudável.

O clima político nacional anda muito acirrado entre bolsonaristas e seus opositores. Isso será um fator nas eleições municipais?

A eleição municipal é mais local. O que prevalece nos debates, nas demandas, nas propostas, são as questões locais. Vinculadas à gestão, aos problemas da cidade. A apresentação de soluções. Na eleição de prefeito, em geral, quem nacionaliza a campanha quebra a cara. As pessoas querem saber sobre a poda da árvore, o buraco na rua, do que você vai fazer para a Saúde, para a Educação.

A pandemia do coronavírus também será muito debatida, não?

A pandemia, certamente, será um tema central na campanha.. Vai ser muito forte. Só se fala nisso.

Mas há um outro fator importante nacional envolve a crise econômica. Com a queda da atividade econômica por causa da pandemia, o governo acabou pagando o auxílio-emergencial, que acabou melhorando a aprovação do presidente. Como isso será tratado?

O governo vive um momento muito importante e especial porque não pode deixar de dar prioridade para o equilíbrio das contas. Não pode recuar no controle da inflação. Não pode tomar medidas que permitam que a alta de juros seja retomada. Foram avanços importantes que aconteceram no País. E, por outro lado, ficou claro que esse Renda Brasil vai ser também importante. Porque o auxílio emergencial mostrou a sua importância nessa pandemia. Mas sabemos que isso tem um limite. Então, o governo não pode errar nessa dosagem. Não pode diminuir muito, nem aumentar muito. Mas ficou claro que isso deu estabilidade para a economia nesse período de transição, nesse momento de pandemia que o Brasil tem vivido.

E isso pode ajudar candidatos associados ao governo?

Não sei. Eleição é local. Mas acho que está contribuindo para melhorar a imagem do presidente Jair Bolsonaro. Isso está na cara. Mas não sei se tem reflexo na eleição.

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