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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Lava Jato acusa filho do presidente do STJ de receber verba para influenciar decisões

Equipe BR Político

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O advogado Eduardo Martins, filho do atual presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro Humberto Martins, foi acusado pela força-tarefa da Lava Jato fluminense de fechar contratos de R$ 83 milhões com a Fecomércio do Rio para influenciar atos de ministros da Corte, informa o Blog do Fausto. Eduardo Martins é um dos 26 acusados pelo Ministério Público Federal do Rio em operação que investiga o possível desvio a escritórios de advocacia de cerca de R$ 150 milhões das seções fluminenses do Sesc, Senac e Fecomércio. Os contratos teriam sido feitos na época em que a federação era presidida por Orlando Diniz.

O presidente do STJ, Humberto Martins. FOTO: Gustavo Lima/STJ

A denúncia foi recebida pelo juiz federal Marcelo Bretas e diz respeito à Operação E$quema S, que teve mandados de busca e apreensão realizados nesta quarta-feira, 9, e colocou no banco de réus, além do filho do ministro, os advogados Frederick Wassef, que já defendeu o senador Flávio Bolsonaro, Cristiano Zanin, que representa o ex-presidente Lula, e a advogada Ana Tereza Basilio, que defende o governador afastado do Rio Wilson Witzel.

Os procuradores da Lava Jato citam duas “levas” de contratações que teriam beneficiado Eduardo Martins. A primeira teria ocorrido em maio de 2014, no valor de R$ 5,5 milhões e contado com auxílio de Zanin e do advogado Fernando Hargreaves. A segunda teria relação com desvios que ocorreram entre 2015 e 2017, em um valor mais substancial: R$ 77,5 milhões, também “a pretexto de influir em atos praticados por ministros do Superior Tribunal de Justiça”, segundo a denúncia.