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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Lava Jato engavetou inquérito de grampo, diz delegado

Equipe BR Político

O delegado Márcio Magno Carvalho, da Polícia Federal, afirma que a força-tarefa da Operação Lava Jato em Curitiba pediu o arquivamento de um inquérito que apurava o uso de escutas telefônicas sem autorização prévia da Justiça na cela do doleiro Alberto Youssef, em 2014. “Os procuradores atipicamente requerem o arquivamento do inquérito policial, antes mesmo da realização de diligências básicas e da confecção do relatório final”, escreveu o delegado à Justiça Federal.

Doleiro Alberto Youssef. Inquérito que apurava uso de grampo em sua cela foi arquivado pela Operação Lava Jato

Doleiro Alberto Youssef. Inquérito que apurava uso de grampo em sua cela foi arquivado pela Operação Lava Jato. Foto: Dida Sampaio/Estadão

Segundo a Folha, o pedido de arquivamento foi aceito pelo juiz federal do Paraná Nivaldo Brunoni, que já chegou a atuar em processos da Lava Jato. Foi Brunoni também quem determinou que o Conselho Nacional do Ministério Público retirasse de pauta julgamento da suspeição do procurador Deltan Dallagnol, o chefe da força-tarefa em Curitiba.

O laudo técnico apontou que foram gravadas mais de 260 horas na cela de Youssef. O inquérito tentava descobrir quem ordenou a instalação do grampo, e se houve tentativa de acobertar a gravação. Em um documento enviado ao juiz Brunoni, o delegado Carvalho diz que a interrupção “abrupta e antecipada de qualquer investigação policial implica, até mesmo, no cerceamento da possibilidade de eventuais investigados demonstrarem, entre outras coisas, suas inocências”.

Em resposta, a força-tarefa diz que o engavetamento do inquérito está “estampado na respectiva manifestação processual, o qual foi apresentado ao juiz federal competente e devidamente homologado”.