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por Vera Magalhães e Marcelo de Moraes

Líder do PSDB na Alesp nega manobra para barrar CPIs

Equipe BR Político

A líder do PSDB na Alesp, deputada Carla Morando, negou que seu partido esteja fazendo manobras para barrar CPIs que investigam supostos esquemas de corrupção em gestões tucanas na Assembleia. “Como líder do PSDB, partido que sempre se posicionou a favor da transparência e da apuração dos fatos, esclareço que não existem manobras para barrar qualquer CPI na Assembleia”, afirmou, em nota, a assessoria da deputada ao BRP.

Como você leu aqui no BRP, a CPI da Furp, que investiga supostos recebimentos de propina na estatal paulista Fundação para o Remédio Popular (Furp), durante a gestão do PSDB, conseguiu aprovar a convocação de uma testemunha-chave no caso. Mas foi por pouco: após um pedido de vista (solicitação para que uma votação seja adiada) de Morando, o prazo para convocar a testemunha ficou apertado. Se não tivesse sido aprovado na terça-feira, 15, a CPI teria sido encerrada sem ouvir o engenheiro e ex-funcionário da Furp Luiz Roberto Beber.

Morando não é membro da comissão, mas, na semana passada, participou da reunião da CPI na condição de membro eventual (já que é líder do partido, ela pode se autoindicar). Na reunião, a deputada fez o pedido de vista. “A deputada estadual Carla Morando (PSDB) informa que o pedido de vista é regimental e foi realizado para entender a proposta do requerimento, uma vez que ela não é titular da comissão e gostaria de tomar conhecimento sobre o assunto”, diz a nota da assessoria.

Beber trabalhou na estatal entre os anos de 2003 e 2007, e o suposto esquema de corrupção teria começado após sua saída. A hipótese é a de que o sucessor de Beber, Ricardo Mahfuz, recebeu propina em uma obra realizada na fábrica da Furp em Américo Brasiliense (SP). A obra foi comandada pelo grupo Camargo Correa, cujos executivos firmaram acordo de delação premiada com o MP de São Paulo. Mahfuz é um dos citados na delação. “Como ouvimos o Ricardo Mahfuz, queremos ouvir o Beber, que foi quem iniciou a construção da fábrica. Nós queremos saber a história desde o início, e quem pode contar é ele. (…) É temerário a gente fechar uma CPI sem antes ouvir todos aqueles que devem ser ouvidos”, disse o presidente da CPI,  o deputado estadual Edmir Chedid (DEM-SP), após a aprovação da convocação de Beber. Chedid foi também o autor do requerimento para convocação do engenheiro.

A oposição acusa os tucanos de barrar comissões que investiguem irregularidades em governos do PSDB na Alesp. Além da CPI da Furp, a CPI da Dersa – outra estatal onde há suspeita de corrupção em gestões do PSDB – também foi motivo de entraves na assembleia. Mesmo com pressão da oposição, a comissão ainda não foi instalada.

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